É tempo de mudar




É tempo de mudar...




Parte I – A encomenda

Toc-toc-toc... Lá no fim de meu subconsciente grito: “Já vai!!!” Quem me chamaria esta hora da matina? A impaciência toma conta daquele ser. Com suas mãos pesadas e cansadas, o toc-toc se repete. Agora era eu quem estava irritada. Enquanto, este incômodo barulho inundava o silencio, eu lutava contra minhas pálpebras cansadas. E assim, os segundos foram passando até que consegui atender o presente. Meus olhos se abriram e se fecharam novamente. Estava muito claro. Levantei com tontura, e guiei-me até a porta de meu quarto. O toc-toc fora substituído por biiiiii... Que pessoinha irritante! Abri a porta e encontro um caminhão de tamanho médio, branco, com a descrição “Ajuda” em letras coloridas. Um homem desce da cabine do motorista e vem em minha direção.

- Olá senhorita, desculpa por te incomodar assim tão cedo. Mas, o senhor lá do alto, me pediu para que eu lhe entregasse uma encomenda valiosíssima. Ordenou, que eu não me retirasse até que este pacote estivesse em suas mãos. E que isto deveria acontecer hoje! – disse o homem esbelto, alto, sorridente, de olhos verdes, se assemelhando mais com um anjo do que com um ser humano. Um pequeno pacote embrulhado se encontrava perfeitamente em uma de suas mãos.

 Espantada, aflita e paralisada, olho para o pacote e vejo meu nome em letra maiúscula. Interrogações são formadas ao longo de cada batida de coração. Não consigo racionar, muito menos dizer algo aquele anjo. Este, agora curioso e preocupado chama-me de volta a realidade. Entrega-me um papel para que eu o estragasse com minha caligrafia horrível. E em seguida, estica o pacote para mim, agradece e na velocidade da luz, segue para a próxima casa trazendo a tal “ajuda”.

Incrédula, corro para dentre de casa, e fecho a porta às pressas. Pulo em minha cama, e delicadamente arranco o embrulho do pacote. Que palavra definiria meu estado agora? Com certeza, surpresa. Havia uma carta direcionada a mim, e uma chave dentro daquela caixa. Respiro fundo. Pego a carta e a abro demoradamente encarando meu nome nela.


“Querida jovem,

Por que andas tão triste assim? Por que tanto medo, tanta melancolia e tantas lágrimas? Diga-me: qual é o motivo para tudo isto? Te dei uma vida, e uma missão aqui na terra. Mas, você só foge de ambas. O que farei contigo? Quantas vezes a solução foi ouvida e deletada de tua memória? Quantas vezes a verdade assomava a realidade? Tão nova e tão sofredora! Ainda tens muito que enfrentar, minha querida. Esta tristeza só está piorando as coisas. Se tu continuas caindo, é porque ainda não aprendestes a lição. A recompensa, não está tão longe quanto imaginas. Lembra-te da frase que criastes: “Ninguém vem ao mundo para sofrer, se não lutar e aprender a amar, a ser feliz. Enfim, viver!”. Aonde se encontram esta fé e esta garra? Tenho saudades daquela jovem que eras. E espero que saibas utilizar esta chave da maneira adequada. Ela é a solução para tantos problemas que tens. Saiba manuseá-la, assim, saberá como enfrentar a realidade, afogar a tristeza e reatar o amor. A felicidade está a um passo de se encontrar a teu corpo. Faça um bom proveito e reflita sobre tua vida. Será feliz se quiser,

Seu criador”

Parte II – Interrogações
Minha mente estava toda revirada. Meu estomago embrulhado. A tontura se pôs a favor de me visitar. A carta continuava ali em minhas mãos que a sufocava diante de todo o apavoramento. Meus olhos não mexiam tentando acreditar que aquilo realmente acontecera. Minha boca estava aberta e eu não sentia mais meu corpo, nenhuma parte sequer mexia. Com todo aquele silencio súbito e medonho, meu coração havia disparado, com tal freqüência que por um segundo acreditei que ele criaria asas e sairia voando por aí.
Li e reli inúmeras vezes a carta, supostamente de Deus, até que a larguei na cama sabendo que se continuasse ali repetindo a mesma coisa, logo, logo estaria internada em um hospício. Tantas interrogações e ao mesmo tempo nenhuma com sentido. Meu cérebro ainda não processara o que eu havia acabado de presenciar. E, aos poucos, eu comecei e encaixar cada peça do quebra-cabeça e comecei a fazer perguntas coerentes... Por que Deus? Por que uma carta e não um milagre? Por que agora e não antes? Para que a chave? Se eu seguir tudo conseguirei a paz? Por quê? Para quê? A fim do quê?

Sinceramente, eu ainda não parei para pensar qual foi o acontecimento que desencadeou tal sofrimento. Então, qual será o motivo de tudo isso? Revirei minha memória. Tentei buscar a resposta em minha infância e ops ... Cadê a minha infância? Memória, aonde está a minha infância? Por que eu não lembro de nada? Por que só me restam pequenas lembranças vagas? Por que eu não consigo vê-la e revive-la? Por quê? Por quê?

Infância, minha querida infância, aonde está escondida? Revela-te o teu esconderijo! Eu quero me lembrar de ti. Por que continuas me evitando? Se escondendo? Eu te quero aqui e agora!!! Por que não apareces? Cadê você?

A essa altura, eu já chorava alto demais. Eu já me entregara ao sofrimento mais uma vez, sem ao menos perceber...



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