sábado, 31 de agosto de 2013

Confusão

Eu fico me perguntando o porquê toda vez que olho pro nada, o meu pensamento toma o caminho que me leva diretamente a você. O nosso abraço, o seu sorriso, o seu olhar não saem da lente de meus olhos como se eu fixasse essas cenas e apertasse o botão replay a todo instante. Eu reviro cada momento contigo, minuto após minuto. Continuo me perguntando o porquê disso. Minhas mãos trêmulas rabiscam esse papel na garoa fria de abril, revirando todas as recordações e tentando entender o motivo para você não sair de dentro de mim. Eu seguro minhas pernas já sem forças e tento firmar minha cabeça para que eu consiga ficar ali sentada e não, simplesmente, cair sobre o mato molhado. O tempo parece não passar enquanto espero uma resposta sua. Pela primeira vez, prece não haver motivos para o que sinto. Apenas sinto falta de alguma coisa dentro de mim. Só não consigo descobrir o que é. Pareço incompleta, inútil, fraca, desolada e sem qualquer chance de caminhar de volta ao meu lar. Perco-me em pensamentos procurando palavras para descrever o meu estado agora. Perguntando-me se você está aí sentindo alguma coisa, pensando em alguém. Se alguma coisa aí dentro de ti mudou como em mim se modificou. Perguntando-me como tudo aconteceu daquele jeito e questionando-me se era ou não para acontecer. Pego o celular e olho a tela ansiando sua resposta.  Será que o seu desaparecimento também significa uma confusão? Simplesmente, não há palavras para expressar o que se criou aqui dentro e qual é a previsão dele permanecer incomodando-me.

Aline Bueno

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