sábado, 31 de agosto de 2013

Confusão

Eu fico me perguntando o porquê toda vez que olho pro nada, o meu pensamento toma o caminho que me leva diretamente a você. O nosso abraço, o seu sorriso, o seu olhar não saem da lente de meus olhos como se eu fixasse essas cenas e apertasse o botão replay a todo instante. Eu reviro cada momento contigo, minuto após minuto. Continuo me perguntando o porquê disso. Minhas mãos trêmulas rabiscam esse papel na garoa fria de abril, revirando todas as recordações e tentando entender o motivo para você não sair de dentro de mim. Eu seguro minhas pernas já sem forças e tento firmar minha cabeça para que eu consiga ficar ali sentada e não, simplesmente, cair sobre o mato molhado. O tempo parece não passar enquanto espero uma resposta sua. Pela primeira vez, prece não haver motivos para o que sinto. Apenas sinto falta de alguma coisa dentro de mim. Só não consigo descobrir o que é. Pareço incompleta, inútil, fraca, desolada e sem qualquer chance de caminhar de volta ao meu lar. Perco-me em pensamentos procurando palavras para descrever o meu estado agora. Perguntando-me se você está aí sentindo alguma coisa, pensando em alguém. Se alguma coisa aí dentro de ti mudou como em mim se modificou. Perguntando-me como tudo aconteceu daquele jeito e questionando-me se era ou não para acontecer. Pego o celular e olho a tela ansiando sua resposta.  Será que o seu desaparecimento também significa uma confusão? Simplesmente, não há palavras para expressar o que se criou aqui dentro e qual é a previsão dele permanecer incomodando-me.

Aline Bueno

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A Conexão

Foi naquela manhã, em meados de Agosto, que por um breve momento algo me conectou a um mundo. Um mundo que eu conhecia muito bem. Era o meu segundo mundo. Fazia tempo que eu não o visitava. Espantei-me com a intensidade da vinculação. Comecei a caminhar e olhar suas estruturas. Ele estava tão diferente. Tão solitário tão murcho. Sem vida. Sim, eu estava chocada demais com tudo o que via. A floresta completamente silenciosa. O castelo totalmente abandonado. Nenhuma alegria. Nenhuma cor. Nenhuma vida. Isso nunca havia acontecido. Tudo estava tão diferente. Parecia um outro mundo, não o meu. Não o que eu conhecia e amava. Os sons de meu mundo real se misturavam com o silêncio do meu segundo mundo. Isso será um sonho? É tão real! Eu ouvia a sua voz, só que nada fazia sentido. Cada palavra era uma facada aqui dentro. Então eu achei necessário gritar e soltar o que estava preso: um grito sem voz.
[...] Vejo vultos, ouço gritos agonizantes. Pessoas por toda a parte morrendo. E eu sem poder fazer nada. O umbral é isso? Ou será muito pior? Sou arrastada pela multidão para dentro de uma caverna. Estava escuro. Muito escuro. Aos poucos fui perdendo meus sentidos. Cheguei a achar que estava partindo, mas a morte é assim silenciosa? Calma? Solitária? [...] Alguém me cutuca e eu abro meus olhos. A luz o cega. Uma dor de cabeça muito forte se apossa de minha mente. Encontrava-me deitava sobre uma mesa de granito, o qual era gélido demais fazendo-me sentir frio. A minha roupa havia mudado. O meu estado se refletia na branquitude de meu vestido. A leveza me trazia paz. Era realmente um belo vestido. Até parecia um conto de fadas. Quando a princesa vai ao encontro de seu príncipe. O que eu não sabia era que a vida podia ser mágica, mas aquilo talvez fosse mais do que magia. Talvez fosse o remédio que eu precisava.
Levanto-me e passo a caminhar sobre o lugar que eu mal conhecia, mas que não me era tão estranho. Estava sozinha. Sabia que alguém havia me acordado, embora não o tenha encontrado em lugar algum. Medo. Angústia. Tristeza. A pouca luz refletia sobre o meu vestido branco como a neve. Por mais um momento, achei que chegou a minha hora. Até que deparei-me com uma porta. Havia uma legenda nela: TEU PASSADO. Assustada. Dei um passo pra trás, abaixei a cabeça e ouvi o meu coração. Ele pulsava mais forte, parecia que queria dizer algo. Gostaria que ele realmente me dissesse algo. Era só eu e ele. Tínhamos certa ligação e intimidade, mas nunca havíamos conversado. Talvez eu devesse ouvi-lo mais. Amá-lo mais. Ficar paralisada ali já não era mais aconselhável. Poderia voltar ou abrir aquela porta. Não estava confusa. Sabia o que queria. Então, busquei em algum lugar a coragem escondida por dentro de minha pele. Girei a maçaneta e entrei de corpo e alma em meu passado. Entrei num filme da minha vida. Não sabia onde estava, o porquê estava ali e o que aquilo significava. Entretanto, estava presente decifrando os códigos que a vida me deu e eu não consegui compreender.
Aline Bueno