domingo, 5 de maio de 2013

O Meu Silêncio


Andei pensando nos últimos dias, pra ser mais sincera, nos últimos meses o porquê eu simplesmente abandonei as folhas e as canetas. Indaguei-me se já não existia mais nada a escrever, se tudo o que eu sentia e pensava não tinha mais sentido, principalmente, a minha vida. Se já não tinha mais o que falar. Como se tudo tivesse acabado. Questionei-me sobre aquele meu mundo que criei. Como ele se encontra agora? Não me recordo quando o visitei pela última vez. Era a falta de tempo, o cansaço, a preguiça, a confusão ou não conseguir entender mais nada? Estamos em maio, quase exatamente no meio do ano de 2013 e este é o meu primeiro texto! Nunca fiquei tanto tempo sem sonhar e transcrever meu sonho para uma simples folha. Principalmente quando o número 13 significa muitas coisas para você. Como é possível esquecer a sua segunda vida? É normal se afastar dela? Apagar as lembranças? Esquecer do que ia escrever quando se tem tanto a dizer? Como se você pegasse o seu mundo, seu caderno, suas canetas, seus sentimentos, suas lembranças e os lacrassem em uma caixa e a deixasse ali em cima da sua estante. Olhar para ela todos os dias e não saber responder para si mesma o porquê não abri-la. O porquê virar as costas com lágrimas nos olhos. O porquê esquecê-la ali e torna-la invisível como se ela não fosse nada quando ela é a razão da tua existência.
Em toda a minha vida, sempre tive o que falar, mas hoje não tenho mais. Aos meus amigos, inimigos, familiares, amores e, principalmente, as minhas folhas eu lhes dou o meu silêncio. Pergunto-me até por que a inspiração deixou-me ou se fui eu quem a deixou. Aquelas três estrelas no céu, em meados de Agosto, não significam mais nada? Não é mais a resposta que eu tanto procurava?
A escrita sempre foi uma forma de desabafo... Hoje, talvez, não mais. Eu choro em cada canto enquanto minha mente pensa em coisas que logo em seguida eu esqueço. E que quando, mais tarde, eu procuro saber o que era descubro que a mesma foi deletada.
Ouço músicas para tentar traduzir, de certa forma, o que anda acontecendo aqui dentro, apesar, não é por isso que elas são escritas? Entretanto, parece haver algo a mais: mais forte, mais profundo, mais irracional, mais confuso. Como se não houvesse palavras para descrevê-lo. O que será isto? Amor? Saudade? Ódio? Algo muito mais além e complexo?
Já não aprecio o por do sol nem as estrelas. Já não falo sobre amor. Já não questiono as coisas. Eu já não me compreendo mais. O meu silêncio continua sendo a minha única resposta.
Não tenha isto como um simples desabafo. O tenha como a não complexidade do que está acontecendo e o não entendimento de tanto silêncio. O tenha como a longa e futura resposta para o descobrimento de que nem sempre nós temos a resposta em nossas mãos, de que sempre haverá incógnitas e cabe a você querer ou não, lutar ou não para descobri-las em palavras aglomeradas que se transformam em muito mais do que frases, mas em seu coração, sua mente, seu corpo ou sua alma e que depois deixe o silêncio e uma nova incógnita: Por quê?
Aline Bueno