sexta-feira, 18 de maio de 2012

A Máscara


Houve numa noite um rompimento de um relacionamento da maneira mais difícil. Um casal acabara de se separar. Éramos nós, era o nosso namoro. Cada um foi para um lado, as alianças se perderam no meio do caminho. Nada mais fazia sentido. Lembro-me que naquela noite eu não derramei nenhuma lágrima, só sentia um vazio dentro de meu peito. E só quando eu caí na real do que tinha acontecido, após 48h, chorei. E assim adormeci. No outro dia, ao acordar coloquei uma máscara em meu rosto: o sorriso mais lindo de toda a minha vida, uma alegria contagiante e um ar dizendo “eu estou bem”. Passaram meses e a máscara continuava ali. As mentiras saiam de minha boca como verdades mais sinceras. Cheguei ao ponto de acreditar nesta máscara, na mentira que eu alimentava a cada dia. As noites eram longas, assim como os dias. Encontrei e conheci outras pessoas. Estava feliz, mas só imaginava que estava. Toda noite em que encostava meu rosto no travesseiro, lembrava de nós e dormia acreditando que isso era somente lembranças. Embora, lá no fundo fosse sentir falta mesmo. A bola de neve de mentiras, que eu mesma criei e alimentava a todo instante, estava enorme e continuava rolando em direção a um penhasco, o mais alto. Quando de repente... BUUUM! A máscara caiu. Numa tarde te vi com outra. Senti uma dor e as lágrimas rolaram. Tudo o que eu havia alimentado durante meses simplesmente se desfez, no segundo em que meus olhos te avistaram. E então, eu estava caindo. Afogada na máscara, completamente desesperada. Caí no mar de minhas lágrimas e hoje não encontro uma saída.
Aline Bueno

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