sexta-feira, 16 de março de 2012

Tentei chorar e não consegui


Lembro-me que era uma manhã como qualquer outra... Por enquanto. O sol batia na janela de meu quarto e os pássaros cantavam doces canções. O relógio marcava 6h enquanto uma sutil música harmonizava o ambiente. Meus olhos abriam e um sorriso brotava de meus lábios. Era porque eu estava viva. Tendo mais um dia de vida para melhorar quem eu costumo ser. Ao levantar-me algo veio à tona. Alguma coisa lá no fundo do meu corpo brotou. Talvez um medo, uma preocupação. Ou, algo muito maior do que eu imaginava. Confesso que minhas mãos tremiam e suavam frio. Embora, ainda não soubesse o motivo para tal acontecimento eu já sentia que isso não era nada bom. Reflexos de um passado encheram minha memória. Imagens sombrias e horripilantes. Ouço um assovio e me arrepio. A angústia e a dor percorriam minhas veias. Um grito dentro de mim procurava loucamente uma saída. Uma forma de explodir, libertando-se de uma prisão sem-fim. Mas, eu continuava viva... Viva por fora, porque por dentro eu parecia mais morta do uma caveira com teias de aranha. O que estava dentro de meu ser continuava lutando, entretanto, não conseguia sair. Tentei de tudo: ouvi as mais sombrias músicas, li e reli os piores livros de terror, assisti aos filmes mais tristes, vi as mais trágicas histórias de amor... E enquanto mais mortes se acorrentavam em minha memória, menos havia um buraco para que o que estava dentro simplesmente saísse. Era uma bela mistura aglomerada aqui dentro. Tentei cavar uma saída e ela se fechava a todo instante. Resolvi procurar o motivo pela tal angústia. Só aí foi que descobri que nos meus olhos não haviam lágrimas. Tentei chorar e não consegui.
Aline Bueno

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