domingo, 26 de fevereiro de 2012

A Chuva


Ao alvorecer da noite, as poucas estrelas no céu anunciavam uma chuva que estava por vir. Talvez, fosse uma simples chuva aos olhos teus. Embora, eu não possa empregar esta mesma afirmação. Durante dias contei as horas, quase não dormi aguardando este dia suportando a impaciência e orando para que ele chegasse o mais cedo possível. Enfim, aqui estamos nós. Eu e você, minha cara e adorável chuva. Sozinhas ao som do trovão descrevendo nossa canção. Um sorriso brota em meus lábios, um brilho toma conta de meus olhos. Agora, faltam poucos minutos para a primeira gota d’água cair do firmamento e iniciar, assim, a orquestra das chuvas. Primeiramente, um raio clareia o céu. Segundamente, um trovão anuncia a chegada da chuva. Terceiramente, as gotas d’água alegram minha vida. O momento finalmente chegou. Está na hora de limpar minha alma:

“Que as gotas levam consigo toda a dor, o sofrimento e as lágrimas e com sua orquestra a paz, o amor e a felicidade habitem meu coração, onde eles nunca deveriam ter saído.”
Eu sinto esta mudança. Eu sinto minha alma sendo lavada e reorganizada. Eu sinto o vazio sendo preenchido pela alegria. Eu me sinto bem. Eu estou bem. Eu posso amar de novo. Eu posso me entregar novamente. Eu sinto todas as lágrimas e dores chamando meu nome, cada vez mais distantes. E agora, só escuto a orquestra em seu tom maior. A paz reinou mais uma vez meu corpo e minha mente. Eu me sinto viva. Olho para os céus e digo: Obrigada. Obrigada Chuva. Obrigada Meu Deus, por me possibilitar a faxina de minha alma, a transformação do meu ser, o meu eu que sempre me pertenceu!
Aline Bueno

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