quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Salve-me


Nunca imaginei que um dia sentiria tanto a falta de alguém como eu sinto a sua. Submeter-me a tal estado de desânimo por não poder te olhar é quase louco como existir apenas por você existir. A minha mente cria ilusões de cenas perfeitas que me alimentam a todo instante. Ela é a minha única fonte inesgotável capaz de me manter viva e, ao mesmo tempo, infeliz. São doces ilusões, lindos sonhos e não passam disso. E como dói não ver seu sorriso, ouvir sua voz, apreciar sua beleza e saber que estás bem. Parece que caminho numa rua de pregos. Há cada passo, um ferimento. Alguns capazes de cicatrizar, outros incapazes de não deixar uma marca. O meu coração sussurra o teu nome. Tens noção do que és pra mim? A única esperança de acreditar num mundo melhor. Se você não existe, saiba que eu também não. Eu dou minha alma para te ver bem, sorrindo, feliz e realizado como um pássaro em seu primeiro voo. Preciso de ti para conseguir enfrentar as barreiras que ainda virão. Já é difícil me manter viva a todo instante, imagine enfrentar sozinha o que o destino me preparou. Quer dizer, eu e Deus, que nunca desistiu de mim, nem mesmo quando eu quis tirar minha própria vida. A vida que Ele me deu. Preciso de ti! Por favor, não me abandone, não desista de mim. Ajude-me!!! Só você tem o dom de me salvar destas trevas que aprisionam minha alma e roubam a minha luz!
Aline Bueno

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Carta as Lágrimas


Queridas Lágrimas,
Há tanto tempo não as vejo. O que tens acontecido para tal desaparecimento? Tenho sentido sua falta. Principalmente, nos últimos dias. Nunca imaginei pedir isso, mas gostaria de tê-las novamente em meus olhos, caindo levemente pelo meu rosto como gotas de chuva após uma tempestade, esperando o arco-íris reinar sobre o céu. Só com você poderei sorrir, pois és a responsável por lavar a minha alma, renová-la a cada instante que choro. Não fique tímida, meu bem. Porque tens medo? Vocês imaginam o quanto são importantes para mim? O que seria de mim sem vocês? Bom, eu já estaria morta! Sou um pequeno e frágil ser humano feito de carne, osso e alma, condenado a morrer a qualquer instante. Eu necessito de ti aqui dentro para conseguir continuar vivendo. Preciso de um anjo que tire de mim as mais profundas mágoas, os piores medos e os aterrorizantes sentimentos que habitam em meu ser. E esse anjo, esse lindo anjo são vocês. Sorriam queridas lágrimas. Eu lhes peço, eu imploro que voltem para seu lugar: meus lindos olhos que já não brilham mais e não possuem mais cor ou sabem o que é fotografar a vida para gravar na memória os melhores momentos. Atenciosamente,
Aline Bueno

domingo, 12 de agosto de 2012

As Três Estrelas


Numa noite de sábado, alguém sussurrou em meus ouvidos, tocando meu coração, a seguinte afirmação:
- A resposta que procuras está no horizonte.
Parei para refletir sobre o que acabara de ouvir. Havia tantas perguntas que eu gostaria que fossem respondidas. E então, aquele alguém novamente sussurrou a mesma frase em meus ouvidos. Talvez, eu soubesse o que ele queria dizer. O silêncio era grande, meus pensamentos iam e viam a tal velocidade. Eu estava completamente absorta em minha mente. Quando, pela terceira e última vez, aquele ser repetiu o que havia dito. Agora, eu sabia exatamente qual das perguntas eu tanta ansiava que fosse respondida. Só tinha que encontrar a resposta olhando para o horizonte. Sinceramente, não entendi a principio o que aquilo queria dizer. Como procurar a resposta no horizonte? De que forma eu a encontraria? [...] Deitei-me em minha cama imaginando o que poderia estar no horizonte...
No dia seguinte, eu havia me esquecido o que tinha ouvido naquela noite. Quando do nada, eu estava na varanda de minha casa, algo me fez olhar para o céu. Era noite, a lua estava tão bonita. Mas, quando eu ergui o olhar para o horizonte, eu encontrei três estrelas que formavam um triângulo retângulo. Duas estrelas em cima e uma em baixo. Eram apenas três estrelas! Fiquei olhando, sem saber o porquê o fazia. Até que parecia que cada estrela girava no seu lugar. “Eu estou ficando doida”, pensei. Fixei o olhar e me espantei ao perceber que elas realmente o faziam. Quando uma das estrelas brilhou. Como se viesse uma luz bem forte por detrás dela. Brilhou por um instante e voltou ao normal. Eu não conseguia acreditar no que havia acabado de ver. Foi assim que me lembrei da noite anterior e daquele alguém que sussurrou em meus ouvidos o que eu tanto queria ouvir:
“A resposta que procuras está no horizonte.”

(Baseado em fatos reais)
Aline Bueno

quarta-feira, 11 de julho de 2012

A Fogueira


Eu ouvia os estalos daquela fogueira no meio da rua que estava em minha frente. Eu via suas chamas aumentarem e diminuírem como o palpitar de meu coração. Eu via suas cores. Eu sentia seu calor que me aquecia numa noite fria de sábado. Então, admirando-a eu te vi e me vi ao teu lado. Estávamos felizes, rindo da vida e do que ela havia nos preparado. Conversávamos, mas o som de nossa voz era baixo demais para que eu ouvisse. Quando nossos olhares se cruzaram... Bom, não há como explicar este fato. Contudo, era maravilhoso ver aquela cena. Caminhávamos abraçados num parque, numa tarde nebulosa. Embora o calor de nossos corpos juntos nos fazia esquecer que estava muito frio. Disse algo em meus ouvidos e saiu correndo. Num simples susto do que acabara de ouvir e de ver, um sorriso brota em meus lábios e saio correndo ao teu encontro. Sem perceber estamos mata adentro daquele imenso parque. Qualquer um que visse nós dois sozinhos naquele local diria que éramos irresponsáveis e, realmente éramos. Entretanto, acima de tudo éramos apaixonados um pelo outro. Um estalo alto me fez voltar ao mundo real. Só assim para eu perceber que de meus olhos haviam lágrimas... Desta vez, eram de felicidades. Volto no mesmo instante e nós continuávamos correndo e entrando cada vez mais naquela sombria floresta que não nos causava medo. Então, você havia parado do nada e eu estava assustada com sua reação. “Será que ele viu algo?” eu pensava. E assim o medo tomava conta de mim. Foi assim, num simples acaso, que você se virou, se ajoelhou no mato úmido, olhou em meus olhos e disse:

Nunca te amei tanto em toda a minha vida. Você é a mulher pra mim. E eu não sei mais viver sem ti... Aceita se casar comigo? E viver ao meu lado para o resto de sua vida? Eu te amo!
Era o pedido de casamento mais belo que já havia visto. Eu chorava de emoção tanto naquele vislumbre quanto na vida real. O barulho daquela fogueira se tornou o nosso hino. Porque quando eu voltei a si, você estava vindo em minha direção e algo estava em suas mãos. Será que meu sonho havia se tornado realidade? Só vivendo para saber...
Aline Bueno

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A Máscara


Houve numa noite um rompimento de um relacionamento da maneira mais difícil. Um casal acabara de se separar. Éramos nós, era o nosso namoro. Cada um foi para um lado, as alianças se perderam no meio do caminho. Nada mais fazia sentido. Lembro-me que naquela noite eu não derramei nenhuma lágrima, só sentia um vazio dentro de meu peito. E só quando eu caí na real do que tinha acontecido, após 48h, chorei. E assim adormeci. No outro dia, ao acordar coloquei uma máscara em meu rosto: o sorriso mais lindo de toda a minha vida, uma alegria contagiante e um ar dizendo “eu estou bem”. Passaram meses e a máscara continuava ali. As mentiras saiam de minha boca como verdades mais sinceras. Cheguei ao ponto de acreditar nesta máscara, na mentira que eu alimentava a cada dia. As noites eram longas, assim como os dias. Encontrei e conheci outras pessoas. Estava feliz, mas só imaginava que estava. Toda noite em que encostava meu rosto no travesseiro, lembrava de nós e dormia acreditando que isso era somente lembranças. Embora, lá no fundo fosse sentir falta mesmo. A bola de neve de mentiras, que eu mesma criei e alimentava a todo instante, estava enorme e continuava rolando em direção a um penhasco, o mais alto. Quando de repente... BUUUM! A máscara caiu. Numa tarde te vi com outra. Senti uma dor e as lágrimas rolaram. Tudo o que eu havia alimentado durante meses simplesmente se desfez, no segundo em que meus olhos te avistaram. E então, eu estava caindo. Afogada na máscara, completamente desesperada. Caí no mar de minhas lágrimas e hoje não encontro uma saída.
Aline Bueno

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O Sentimento


São exatamente 20h20min desta noite de quarta-feira. Não sei pelo qual motivo, estou escrevendo isto, mas me vejo como borrões vagando em direção a algo que eu não quero saber. Há algum sentimento que nasceu aqui em meu peito e eu ainda não o conheço. Acima de tudo, nem descrevê-lo eu sei. Não sinto dor, mas sinto um incômodo. Como se eu o não o pudesse controlar, nem o tocar. Como uma lágrima que escorre de meus olhos quando lembro-me de meu passado. Toda a minha alegria evaporou-se assim do nada. Eu a busco, embora não a encontre. A escuridão agora é meu guia. O coração a minha audição. Procuro uma certa coisa em meio ao nada sem ao menos saber o que ela é. Contudo sei que ela é a chave para que tudo isto se apague. Minha consciência é uma confusão dentre tudo o que está acontecendo. Palavras se agrupam criando várias incógnitas que não são respondidas, apenas citadas. Eu tento colocar este sentimento para fora e nenhuma lágrima ousa fazer este sacrifício. A chama da esperança está fraca e eu sei que se ela se apagar, eu não existo mais. Talvez eu esteja fazendo drama ou apenas idealizando esta coisa. Talvez eu deseje a pior coisa do mundo: a morte. Entretanto, como encontrar palavras para descrever algo tão obscuro que estou sentindo? Simplesmente, não há o que proferir. Meras palavras não conseguirão caracterizá-la. Eu me olho no espelho e vejo um borrão preto, um grito de dor que quase me deixa surda. Agora, eu estou assustada. Eu escuto vozes, eu vejo espíritos sofredores, eu me arrepio. Eu não quero acreditar no que estou vendo. Embora as lentes de meus olhos fotografassem e arquivassem cada cena. Não, eu não quero isso! Eu grito um grito sem voz. Eu choro um choro sem lágrimas. Eu me debato ao chão sem sentir dor. Eu estou perdida. Eu vejo um poço profundo e caio dentro dele. Eu vou caindo, e caindo e caindo. E percebo que ele não tem fim. Eu me desespero. Eu peço ajuda e ninguém me ouve. Eu tento arrancar esta coisa de mim, embora eu não consiga tocá-la. Ela é mais forte do que eu. Eu não tenho forças. A chama está se apagando. Será que este é o meu último suspiro? Eu imploro que não seja. Uma única e forte batida de meu coração anuncia o fim de minha existência. Sou cercada por seres ruins que não existem neste plano. E uma luz cega meus olhos. Vejo-te vindo até mim, ou apenas imagino-te. Dissestes que não és a minha hora. Com tua mão reaviva meu coração. Eu volto ao mundo em que pertenço. Sou retirada do fundo do poço. E quando decido abrir meus olhos, percebo que foi me tirado o ato de sonhar para que assim eu possa viver.
Aline Bueno

terça-feira, 24 de abril de 2012

Eu estive por aí ...


Eu estive por aí, vagando como um espírito sem rumo. A procura de uma coisa que eu não tenho há muito tempo. Tudo por causa de uma bifurcação no caminho que seguia. Tudo por causa de algo que eu queria e que perdi assim que o escolhi.
Eu estive por aí, buscando esta coisa como se eu a pudesse encontrar. Mas, me esqueci que ela vale uma vida.
Eu estive por aí, acreditando no amanhã. No nosso encontro. Eu feliz. Um sonho quebrado. E então, eu estava caindo.
Eu estive por aí, tentando me reerguer para continuar a procurar-te. Quase desisti quando descobri que o passado deixou de existir.
Eu estive por aí, colando as peças quebradas sem saber o porquê a fazia. Algo em mim me obrigava a acreditar no que já não existia. Confusa.
Eu estive por aí, lutando para não perder a vida. Lutando para que meus pulmões e meu coração continuassem funcionando. Eu chorava.
Eu estive por aí, desesperada, cansada de procurar o diamante da vida: uma motivação para que eu não vá agora ao encontro Daquele que me deu a vida e que agora já não tem mais sentido.
Eu estive por aí, vagando, buscando, acreditando, descobrindo, colando, lutando desesperada a fim de te encontrar e te roubar das trevas só para mim. E então, eu consegui!
Aline Bueno

Quebra-cabeça


Num segundo, o mundo parou. Um pensamento veio à tona. Dois acontecimentos se interligaram. A resposta havia se formado. A inconformação se pôs a minha frente. Palavras negativas saem de meus lábios. E lágrimas caem de meus olhos. Jogo-me ao chão e não encontro mais forças para me reerguer. Assim passo minha tarde. Implorando para que isto não fosse verdade. Embora, mais peças do meu quebra-cabeça bagunçado iam se juntando, formando um desenho, uma razão, uma história. Ao se concretizarem, vi eu e você juntos, apaixonados, felizes. Mas, eu continuava ali soluçando, chorando e proferindo “Não!”. O quebra-cabeça se desmontou. Transformou-se em lágrimas. Vagou pelas minhas lembranças e em um momento de minha vida parou. Parou naquele dia em que eu conversava com uma mulher que me dizia que um dia eu encontraria alguém que me respeitaria me amaria e me faria feliz de verdade. Lembro-me daquela ânsia, daquela louca vontade que eu tinha de encontrar aquele ser. Agora estamos face a face. Estou a um passo da felicidade, mas não a quero, não agora. Em algum lugar, perdi minha esperança e hoje não consigo reacendê-la. Se é que é possível assim o fazer. Lutei anos a fim de te encontrar. E quando o encontro, simplesmente recuo. A surpresa que aquela mulher tanto falava que estava por vir, se revelou você. Você é a minha alma gêmea ou, talvez, seja aquele que me levará até ela. Com todas as provas em minha mão, eu nego. Arranco-a de minha memória. Desmancho o quebra-cabeça que havia se formado, novamente. Enxugo minhas lágrimas. Coloco o sorriso mais forçado em meus lábios. Digo a mim mesma que serei forte. Levanto-me do chão e caminho a um abismo como se nada estivesse acontecido.
Aline Bueno

Segunda Vez


Lembro-me de nós dois como se fosse ontem. Mas, passou muito tempo desde que estivemos juntos. Ainda assim, as lembranças não ousam em sair de minha memória e me deixar em paz. Há cada passo, há cada lugar, há cada ser que observo me lembra algo seu. Isso, literalmente, não era para acontecer, mas eu o estou vivenciando agora, não estou? Parece que perdi o gosto de viver, outra vez. Parece que estou afundando naquele poço, novamente, sem perceber. Eu aqui e você por aí. Não sinto dor, embora, sinta a tua falta. Tua ausência é como facas perfurando meu corpo. Deixando-me mais debilitada do que já estou. Meu desejo não é te encontrar, entretanto, encontrar um verdadeiro príncipe que vaga por aí a procura de sua princesa. E, talvez, ela seja eu. Em algum lugar aqui dentro, perdida. Ainda assim, o cansaço a cada dia é mais forte. A alegria vai indo embora. E quando dou por mim, minha alma se encontra perdida, pela segunda vez.
Aline Bueno

Meu Interior


Enquanto espero a inspiração vir ao meu encontro, na minha mente, vagam lembranças e pensamentos de um passado que não me pertence, de um presente surreal e um futuro inadmissível. Em meu estômago, um grito de puro desespero. Em meu coração, uma mistura de sentimentos agridoces e, por vezes, alguns desnecessários. Em meus lábios, não encontro um sorriso. Em meus olhos, lágrimas se desmancham e caem como pétalas de uma flor, como gotas de sangue que mancham minha roupa. Seja bem vindo ao meu interior. Porque o que realmente demonstro é o inverso do que até aqui, proferi.
Aline Bueno

Hoje eu te vi


Te vi ali do outro lado da rua, naquele canto, com aquelas pessoas e fazendo aquelas coisas. Ou, talvez, tenha te imaginado ali. Mas, eu vou confessar que isto partiu meu coração. Eu me segurei para não te arrastar dali, te levar para a minha casa e cuidar de ti. Eu não podia. Talvez devesse. Só que se você está ali é porque quer. Eu juro que não entendo. Pra que estragar sua vida com essas coisas? Só no seu lugar para te entender, se assim eu conseguir. Doeu. Sangrou. Feriu. E deixou cicatrizes. Eu sabia que isso uma hora ou outra ia acontecer. Estou agora na frente dela. E isso parece mais um sonho do qual eu não consigo acordar. Diz-me que isso não é real! Que você não gosta destas coisas. Que está bem sem mim. Por favor, diga-me. Mas, você não me responde e fica me olhando. O que está acontecendo? Com você? Comigo? Com nós? Se é que existe nós! Tudo o que a gente passou junto não foi nada para você? Todos os momentos, as risadas, os abraços, os beijos, as brigas? Nada te fez mudar? Nada te fez enxergar um outro ser? Eu já sei a resposta, não precisa repeti-la. Só me prometa se é que possa prometer que você vai ficar bem, que está bem e que será muito feliz. É a única coisa que eu posso pedir agora. Gostaria de acordar deste sonho.
Aline Bueno

sexta-feira, 16 de março de 2012

Tentei chorar e não consegui


Lembro-me que era uma manhã como qualquer outra... Por enquanto. O sol batia na janela de meu quarto e os pássaros cantavam doces canções. O relógio marcava 6h enquanto uma sutil música harmonizava o ambiente. Meus olhos abriam e um sorriso brotava de meus lábios. Era porque eu estava viva. Tendo mais um dia de vida para melhorar quem eu costumo ser. Ao levantar-me algo veio à tona. Alguma coisa lá no fundo do meu corpo brotou. Talvez um medo, uma preocupação. Ou, algo muito maior do que eu imaginava. Confesso que minhas mãos tremiam e suavam frio. Embora, ainda não soubesse o motivo para tal acontecimento eu já sentia que isso não era nada bom. Reflexos de um passado encheram minha memória. Imagens sombrias e horripilantes. Ouço um assovio e me arrepio. A angústia e a dor percorriam minhas veias. Um grito dentro de mim procurava loucamente uma saída. Uma forma de explodir, libertando-se de uma prisão sem-fim. Mas, eu continuava viva... Viva por fora, porque por dentro eu parecia mais morta do uma caveira com teias de aranha. O que estava dentro de meu ser continuava lutando, entretanto, não conseguia sair. Tentei de tudo: ouvi as mais sombrias músicas, li e reli os piores livros de terror, assisti aos filmes mais tristes, vi as mais trágicas histórias de amor... E enquanto mais mortes se acorrentavam em minha memória, menos havia um buraco para que o que estava dentro simplesmente saísse. Era uma bela mistura aglomerada aqui dentro. Tentei cavar uma saída e ela se fechava a todo instante. Resolvi procurar o motivo pela tal angústia. Só aí foi que descobri que nos meus olhos não haviam lágrimas. Tentei chorar e não consegui.
Aline Bueno

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O Meu Eu


Está complicado saber o que se passa dentro do meu ser. Não sei se é amor, raiva, ódio, felicidade, revolta, tristeza ou agonia. Como se todos estes sentimentos entrassem em harmonia e fizessem de todos apenas um. Assim, fica complicado distinguir qual é o mais forte e o que mais machuca. Como procurar a cura deste jeito? Numa hora uma alegria contagiante, noutra uma tristeza revoltante sem quaisquer motivos. Árduo como decidir uma coisa que tem várias maneiras de interpretar. Afanoso!!!
Aline Bueno

A Chuva


Ao alvorecer da noite, as poucas estrelas no céu anunciavam uma chuva que estava por vir. Talvez, fosse uma simples chuva aos olhos teus. Embora, eu não possa empregar esta mesma afirmação. Durante dias contei as horas, quase não dormi aguardando este dia suportando a impaciência e orando para que ele chegasse o mais cedo possível. Enfim, aqui estamos nós. Eu e você, minha cara e adorável chuva. Sozinhas ao som do trovão descrevendo nossa canção. Um sorriso brota em meus lábios, um brilho toma conta de meus olhos. Agora, faltam poucos minutos para a primeira gota d’água cair do firmamento e iniciar, assim, a orquestra das chuvas. Primeiramente, um raio clareia o céu. Segundamente, um trovão anuncia a chegada da chuva. Terceiramente, as gotas d’água alegram minha vida. O momento finalmente chegou. Está na hora de limpar minha alma:

“Que as gotas levam consigo toda a dor, o sofrimento e as lágrimas e com sua orquestra a paz, o amor e a felicidade habitem meu coração, onde eles nunca deveriam ter saído.”
Eu sinto esta mudança. Eu sinto minha alma sendo lavada e reorganizada. Eu sinto o vazio sendo preenchido pela alegria. Eu me sinto bem. Eu estou bem. Eu posso amar de novo. Eu posso me entregar novamente. Eu sinto todas as lágrimas e dores chamando meu nome, cada vez mais distantes. E agora, só escuto a orquestra em seu tom maior. A paz reinou mais uma vez meu corpo e minha mente. Eu me sinto viva. Olho para os céus e digo: Obrigada. Obrigada Chuva. Obrigada Meu Deus, por me possibilitar a faxina de minha alma, a transformação do meu ser, o meu eu que sempre me pertenceu!
Aline Bueno

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A Droga do Amor !


O amor. O que é o amor? Um sentimento? Uma palavra? O significado pelo qual meu coração dispara quando te vê vindo e dói quando te vê partindo? Uma coisa? Um animal? Uma pessoa? Um objeto? ... Aonde ele está? Dentro? Fora? No coração? Na mente? No corpo? Nas palavras? No olhar? ... Como o encontrar? ... Um dia ele some e caminha sem rumo procurando algo que nem sabe se existe? ... Em algum lugar do meu passado, eu o perdi por completo. Não sei se um dia cruzarei seu caminho, de novo. E, talvez, nem gostaria de saber... Num belo dia de nuvens nebulosas e um tempo fechado, ao acordar senti um vazio em algum lugar perto do coração, se não for o mesmo. Logo em seguida, uma dor enorme que dos meus olhos lágrimas caíram sem muito esforço. Era a última coisa a qual eu jurei a mim mesma nunca mais acontecer. Embora, a emoção tenha ganhado da razão... Desta vez! Não sei o que mais machuca: a dor ou a dor de estar sentindo a dor. Não imaginei o quanto sentiria falta do meu passado e muito menos do que ele trouxe junto de ti. Só sei que machuca e muito. O amor partiu sem dizer adeus. Cedeu um buraco, um vazio, a dor, a falta e a perda que terei que lidar enquanto não resolver voltar. Obrigado, Amor! Você realmente me fez um favor. Devo-te uma. Droga de Amor!
Aline Bueno

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Eu sou o ar, eu sou o vento


Sou uma brisa leve que toca teu corpo. Que no frio te arrepia. No calor te refresca. Quando estás carente aquele que lhe conforta com um abraço. Quando dormes aquele que lhe dá um beijo de boa noite. Quando estás feliz aquele que lhe completa. Eu sou o vento. Sou o ar, o seu oxigênio. Sou apenas um, embora seja composto por três gases. Aquele que ri com doçura, como se o meu riso emoldurasse um breve assovio. Aquele que põe a mão em teu ombro diante de uma situação complicada e lhe diz: não foi desta vez e, mesmo assim, não desista. Aquele que ouve os teus desabafos e tuas tristezas, o teu choro, tuas alegrias, tuas inconformações e não lhe diz nada. Só fica ali ouvindo e ouvindo. Mas, quando tu finalizas aquele que lhe abraça com força e lhe conforta trazendo-lhe paz, fazendo-te esquecer do que foi dito. Aquele que não lhe deixa solitário, embora não o percebestes nunca lhe abandona. Presente em teus sonhos mais profundos e mais loucos. Aquele que seca tuas lágrimas, que sabe identificar o que se passa por sua mente. Aquele que diz “Não fique aí, é perigoso demais. Vá embora!” e assopra uma brisa gelada em teu rosto fazendo que com que saístes do lugar o mais rápido possível. Eu sou o vento, sou uma brisa leve, sou o ar, o seu oxigênio. Sou como seu melhor amigo. E mesmo que não me enxergastes e pouco me ouvistes sou aquele que jamais lhe abandonou. Sim, eu sou apenas o vento!
Aline Bueno

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

As escolhas são necessárias


A vida vai e a vida vem. Em muitas das vezes, ela lhe pergunta: “Valerá à pena? O que lucrará? O que perderá? Afetará algo ou alguém? E se for pelo caminho contrário?”. Contudo, você ainda não possui as respostas, ainda não concretizou teus planos. Sua mente continua bagunçada com tantos caminhos a serem decididos. Pois bem, você pensa e analisa o teu próprio ponto de vista, embora esteja esquecendo de que no mundo você não é o único que o reside. Acaba por não analisar corretamente, por não se importar com as perguntas que a vida te fez. Só enxerga o seu próprio ego. E acaba agindo sem ter a certeza do que estava realmente fazendo. Você se vê uma pessoa decidida e competente por ter feito uma escolha, seja qual for ela. Passam-se dias, depois semanas e logo meses. Porém, quando você chega aqui onde estou agora é que tem as respostas para cada uma das perguntas que a vida te fez um dia: “Não valeu a pena. Lucrei uma fama maléfica e perdi todos os que tinham ao meu lado, meus amigos, minha família, aquele alguém especial. Afetei e destruí todos os laços de quem amo ou de quem um dia amei. E, por último, o caminho contrário se revelou a melhor opção em que deveria ter tomado”. O que sobrou? A solidão, o desgosto, a angústia, a tristeza! O que fazer? Voltar na hora de decidir o que decidiu é impossível, assim como, tentar consertar o erro. Apenas remanesce uma mudança e uma oração pedindo para que alguém que não tenha o coração de ferro volte a falar contigo. Não é fácil passar por situações como esta. E quando você vê teus erros, passou-se quanto anos, quantos séculos? Uma vida até? E é por isso que as escolhas são necessárias. São necessárias para distinguir o que é maléfico para a vida e o que é benéfico. Assim, antes de torná-la real, seja qual for a escolha, seja pequena, ou seja, grande pense muito porque um simples passo, uma simples palavra pode mudar o rumo da sua vida, da sua história, da sua identidade.
Aline Bueno

domingo, 1 de janeiro de 2012

A Hora de ...


Fim de ano chegando. Está na hora de relembrar tudo o que aconteceu, todas as promessas, as conquistas e os acontecimentos não tão agradáveis. Hora de ver o quão rápido este ano passou e quantas coisas optamos em deixar pra trás. Outras tantas que perdemos pra que, assim, conseguíssemos ganhar algo muito melhor. Hora de ver os erros e os acertos e tentar mudar e melhorar para que neste novo ano não se cometa os mesmos absurdos. Hora de sorrir e se inundar com as lágrimas da alegria, sabendo que o ano passou e que foi bom, pode não ter sido o melhor, mas sobrevivemos a ele. Hora de comemorar e festejar o ano que se foi e o que está vindo. Hora de abraçar, de curtir, de beijar, de fazer promessas (mas lembre-se de prometer aquilo que está ao seu alcance). Hora de agradecer por ter enfrentado o ano que se passou com muita força e garra e pedir para que neste novo ano tenhamos muito mais do que isso. Que os céus nos cubram com o poder da bondade e da felicidade, da paz e do amor. E que, em cada ser, se crie um rumo que vale a pena ser seguido, sem dor ou arrependimento.
Aline Bueno