quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Encontro com as ondas


Estava faltando uns 100 metros para chegarmos em Bertioga e eu já sentia o cheiro da água do mar, já escutava o barulho das ondas e, mais do que tudo, sentia o cheiro da areia molhada. Não foi uma felicidade para mim, como eu imaginava que seria, chegar naquela praia. Sinceramente, o que estragou tudo foi exatamente o tempo nublado que não ajudou em nada. Já havia ouvido pessoas dizendo que em Bertioga é frio, embora eu não imaginasse o quanto isto seria um fato verídico. Em São Paulo, estava muito calor e abafado. O sol radiava por completo a cidade. Estava até animada com a ideia de sairmos um pouco de nossa rotina e irmos dar um passeio na praia mais próxima e pescar um pouco. Mesmo sabendo que no outro dia haveria aula, eu aceitei numa boa esta proposta. E lá fui eu. Pulava de alegria por dentro de mim mesma. Mas, a cada minuto que se passava, essa alegria ia se devastando. E ela se foi de vez quando estávamos a 30min de Bertioga. O que aconteceu? Em plena serra, o mais temido fato se revela: esfriou bruscamente e a neblina apareceu. Era como se você estivesse num lugar quente e o céu estivesse azulzinho e, ao dar apenas um passo à sua frente, o clima fica frio e as montanhas são banhadas pela neblina. Ainda assim, estava tomada pela ansiedade, durante todo o trajeto. Fazia anos que eu não me banhava nas águas de Bertioga. A felicidade veio depois que eu toquei os meus pés naquela areia, ouvi melhor o barulho das ondas que me trouxe paz e realização, e olhei aquela linda paisagem de águas sujas e de um tempo nublado. A primeira coisa que fiz, além disto, foi me aconchegar na areia e fechar os olhos para poder senti-la em meus pés e em minhas mãos. Ali, naquele mesmo lugar e naquela mesma situação em que me deparava, permaneci durante alguns poucos longos minutos, mas suficientes para me fazerem sonhar. Com os meus olhos fechados, eu criei o meu segundo mundo. Levantei e saí correndo em direção ao mar para abraçar e viver uma linda aventura com as ondas. Mergulhei fazendo com que o mesmo fosse o beijo mais elegante que já havia presenciado. E, em minha volta, já não havia mais ninguém. Era só eu e o mar naquele fim de mundo. Nós dançamos por um longo e significativo tempo. Cheguei até a dormir ali, boiando sobre a água, de tanta calma que o barulho me proporcionou. Corri em encontro à areia e deitei-me do mesmo modo que estava. E, no entanto, esse só foi um de meus loucos sonhos em meu segundo mundo.
Aline Bueno

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Por doçura do destino



Por doçura do destino, nossas fraquezas, conflitos, problemas e dramas nos tornaram muito mais do que apenas dois simples amigos. Por doçura do destino, quando você caiu fui eu quem lhe ofereceu não só uma mão como apoio, mas, também, um ombro amigo como suporte para tanto desgosto. Por doçura do destino, você se tornou o meu porto seguro, aquele alguém que eu tanto pedi e tanto sonhei. E quando uma pedra foi atacada a nossa janela, quando um furacão destruiu nossa casa, quando um precipício se encontrava a nossa frente e uma batida de coração, um olhar importava mais do que nossas próprias vidas, por doçura do destino, nós nos unimos para enfrentar cada obstáculo em nosso caminho. Por doçura do destino, te encontro em cada pensamento e em cada sonho. Por doçura do destino, a cura da qual eu tanto necessitava em você eu encontrei. Por doçura do destino, a verdade nos foi concedida trazendo medo e discórdia. Mesmo assim, por doçura do destino, a aceitação abriu nossos olhos cansados e reatou nosso coração sofredor. No momento em que mais precisávamos de alguém, por doçura do destino, um laço nos aproximou sem que nós percebêssemos e a vida continuou. O presente se tornou passado, e o futuro se tornou presente. E, no entanto, por doçura do destino, o destempo fez com que um olhasse nos olhos do outro e enxergasse que sem aquele alguém continuar vivendo já não teria mais sentido.
Aline Bueno