quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Alguém


E lá estava eu mais uma vez entrando na escola, perdida em meus pensamentos. Planeta Terra chamando, Planeta Terra me atormentando. Alguém estava pedindo minha atenção. Sem muito que tirar proveito para a conclusão do porque, justamente, aquele garoto estava me chamando, segui seus passos lentos em direção a um lugar em que ninguém nos pudesse ouvir. Ele se virou e me olhou nos olhos. Agora eu estava assustada. E mesmo querendo dizer algo para aliviar o súbito silencio entre nós, nada saía de meus lábios. Desviando o olhar e encarando o chão o garoto com o qual eu muito pouco havia conversado, me disse:
- Percebi que você está mais feliz. Havia tanto tempo que eu não via um brilho em teus olhos. É como se você estivesse morrendo, até parecia que sua vida era em preto e branco. E, de repente, você mudou. Estava mais feliz, seus olhos voltaram a ter satisfação e sua vida agora havia cores (pausa) O que aconteceu? Quer dizer, porque estava tão triste, tão morta e subitamente ficou mais feliz do que nunca?
Agora, eu sorria. Aquele garoto que muito pouco falava comigo, por um passado complicado, ainda se importa com minha vida. Queria abraçá-lo, embora, eu sabia que não podia fazer isto. Eu nada lhe disse e ele esperava por uma resposta. Coloquei meu cérebro para trabalhar. Depois de um tempinho analisando, lhe respondi:
- Eu só precisava de alguém que me desse motivos suficientes para voltar a amar, a ser feliz e viver. E num simples acaso, encontrei uma pessoa que não só foi minha cura, como também, é meu porto seguro!
Aline Bueno

domingo, 28 de agosto de 2011

Receita para aliviar a tristeza


Ingredientes:
3 colheres de idealismo, 1 lenço para enxugar as lágrimas, 1 folha dura, 1 caneta vermelha, músicas do Scorpions, sua alma, 5 verdades, 2 ilusões, 4 revoltas, 1 vontade louca que você não é capaz de fazer, 10 intrigas, 7 motivos de apego, seu subconsciente, um terço de sua lembrança, 5 litros de sofrimento, fósforo e a realidade.

Modo de preparar:
Com a ajuda da caneta vermelha, despeje no papel duro sua alma em palavras. Acrescente suas revoltas, suas intrigas, sua louca vontade e suas ilusões ao som de Scorpions. Com o lenço enxugue suas lagrimas e guarde para mais tarde. Pegue seu sofrimento e misture bem com as dolorosas lembranças, com as verdades e com o idealismo. Dê uma pausa e respire fundo. Recomece despedaçando os motivos de apego junto ao seu subconsciente e misture tudo. Terminado, sirva o papel duro e o lenço com suas lágrimas queimando a sua realidade.
Aline Bueno

sábado, 27 de agosto de 2011

O Medo


Ter e, ao mesmo tempo, não ter medo. Querer seguir em frente e, ao mesmo tempo, querer voltar atrás. Correr, fugir. Mas, nunca enfrentar. Outro sentimento que nos desgasta e nos assombra. Só mais um desafio em nossas mãos. Embora, ele seja tão doloroso a ponto de nos cegar com sua faca afiada. Proferir “Eu tenho medo” é como uma vitória. É como ganhar na loteria. Mesmo sabendo, que este fato não possa ser assim comparado, eu o faço. Porque, a partir do momento que o ser consegue enxergar este sombrio sentimento, mais perto de enfrentá-lo e derrotá-lo ele estará. Qualquer que seja o motivo pelo qual se tem o medo, certamente, é sublime o expor do que escondê-lo. E mesmo que, ele esteja em nosso consciente, e simultaneamente, em nosso subconsciente prefira lutar e se machucar do que lhe entregar sua vida. O medo é como o ar, você pode não vê-lo, mas pode senti-lo. É como o inverno, tão rigoroso que nos cela entre quatro paredes. Como o amor, que faz de sua visita uma moradia permanente em nossa alma.
Aline Bueno

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Alma Perdida


Às vezes, as coisas não dão certo. São tantas recaídas que a desilusão chega a você e, sem muito a lhe dizer, se apossa de tua vida e a transforma num beco sem saída. A princípio, você pensa que não há muito a fazer. Você se entrega inteiramente nesse poço sem fim. A cada dia que passa, a realidade vai se afastando e você vai afundando cada vez mais. Esperança? É o que falta para acabar com tanto desgosto. Meses passaram desde quando a desgraça visitou sua vida. O cansaço aumenta, a verdade machuca. São poucas as opções a serem tomadas. Seus olhos já não fecham, e nenhuma voz sai de tua boca. Não há som ou luz. Sua alma se encontra perdida. Mas, o seu corpo permanece ali naquele poço, caindo e caindo. Agora há volta? Você tenta se movimentar, embora, seu corpo permaneça intacto. Você tem uma vontade louca de gritar, mas nada sai de seus lábios. Você fica olhando aquela pequena luz lá no fim e, de repente, ela se vai. Então, você começa a chorar. Um choro sem lágrimas. Entretanto, alguém lá no fim grita por ti. E você o responde. Ele joga uma corda e sem muita força você vai subindo devagarzinho. Palavras de apoio rompem o silêncio e aquela luz volta. Começa a se aproximar. A alegria apossa teu corpo. Agora, são várias as pessoas que se encontram fora do poço. Seus olhos ardem por causa da claridade do dia. A adrenalina percorre suas veias e, em minutos, você encontra sua alma.
Aline Bueno