quinta-feira, 14 de julho de 2011

Durante uma viagem...


Durante uma viagem, o pai percebe que sua filha está muito quieta, sentada no banco de trás do carro. Ela fica olhando atenta pela janela cada mínimo detalhe que puder enxergar, com um fone de ouvido meio alto e, de vez em quando, dá palpites ao caminho ou conversa de seus pais. Apesar de tudo isso, seu olhar parece estar meio triste, seu rosto cansado e seu pensamento em um lugar muito distante. Incomodado e curioso, o pai, chama-lhe atenção e pergunta-lhe:
- Filha, está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?
A filha fica meia surpresa, tenta mudar de expressão e não o obtém com sucesso. Respira fundo e lhe responde:
- Estou bem sim, pai. Só estava pensando na vida!
O pai dá uma risadinha e balança a cabeça reprovando sua resposta. Incrédulo ele diz:
- Pensando na vida! Pra quê pensar na vida? Você só tem 15 anos, filha.
Então, a filha pensa na resposta que poderia dar-lhe. Após alguns minutos de silêncio, com uma voz calma e tranquilizante, ela se manifesta:
- Pai, pode ser que eu não seja maior de idade e nem tenha tanta experiência que nem vocês. Pode ser que eu não trabalhe ou faça faculdade, muito menos que eu tenha um marido e filhos, e nem as mesmas preocupações que vocês têm. Pode ser que eu não tenha arrependimentos, passados dolorosos ou decisões difíceis que precisam ser tomadas. Pode ser que eu não tenha que lidar tanto com meus defeitos ou meus problemas. Eu não preciso ser uma adulta ou ter o mesmo nível de vida que vocês têm. Porque, independente de tudo, o agora, apesar de ser distinto entre o meu e o de vocês, eles tem um mesmo fundador.  Isso mesmo, não importa a nossa idade. Pra quê pensar na vida? Fácil! É para que eu possa tomar as decisões corretas e construir meu caminho sem nenhum espinho. Porque eu cansei de agir por impulso e depois ficar por aí chorando e tentando consertar as coisas. O mesmo nível que vocês dão às suas preocupações e decisões, o mesmo faço.
O pai, não sabia o que lhe dizer. Nunca havia ouvido sua filha falar deste jeito. Ele abaixou a cabeça e respirou fundo. A levantou e antes de encerrar este assunto, ele indagou:
- Como assim “o agora, apesar de ser distinto entre o meu e o seu, eles tem um mesmo fundador” ?
A filha sorri e responde:
- Ele é a consequência de seus atos seja ele vitorioso ou desacerto.
Aline Bueno

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