sexta-feira, 29 de julho de 2011

Desilusão


Estar viva e não viver. Se machucar e nada sentir. Dizer e nada proferir. Comer sem saborear. Sonhar e não acreditar. Rezar sem fé. Chorar mas não aliviar. Olhar e não ver. Escutar e não ouvir. Deitar e não dormir. Andar e não se mover. Pensar e não racionar...

Durante 15 anos, sonhos foram construídos, buracos cavados, feridas abertas. Tão cruéis... Ilusões destruídas e tantas pedras ao decorrer do caminho da vida. Sim, eu caí inúmeras vezes, embora, não tenha aprendido muito com todos os tombos. Tantos sonhos despedaçados deram lugar há outros muito maiores e gratificatórios. A caminhada ainda é longa. A subida íngreme cansa e o desanimo se põe a disposição. Olhando agora a minha frente, vejo uma estrada sombria e infinita. Ou isso seria inverídico? Medo! A curiosidade toma conta de mim. “O que irei encontrar no final deste caminho? Será que há fim? É perto ou ainda andarei muito? Quais serão as dificuldades que enfrentarei?” São perguntas que eu quero e, ao mesmo tempo, não quero que sejam respondidas. Meu olhar está triste. Minha face cansada. Rugas e mais rugas apesar dos 15 anos de idade. Olheiras. Somente tristeza. Então, eu olho agora para trás. E vejo tanto infinito quanto à minha frente. Vejo flores, sonhos conquistados, desejos realizados. Pessoas que de alguma forma se tornaram especiais e essenciais em minha vida. E elas seguram um cartaz dizendo: “Siga em frente. Não tenho medo do que pode encontrar.” Observo os troféus e as derrotas. Um dia lindo. A hora do crepúsculo, a minha preferida. Eu olho meus amigos e minha família. E cada coisa que lutei para conseguir. É tudo muito inaudito. Vendo tantas coisas boas, bonitas e alegres, o medo deixa de se aflorar dentro de mim. O limite é o céu. Entrar em desespero agora não é um ato favorável. Abrir mão de todas estas coisas para receber nada ou tudo. Está tão difícil pensar, refletir e tomar uma decisão. Coisas agradáveis e repugnantes se apossam de minha mente. E fazem meu cérebro se desconectar de meu corpo... OPA! Aonde me encontro? Em meu subconsciente? Não! Eu conheço este lugar. É o meu segundo mundo. Arrepio. Ele é tão sórdido e sombrio. O que faço aqui? Outra vez, o cenário muda. Volto ao meu caminho da vida. Alívio. Seguidamente, olho a minha frente. Encaro a realidade. Fecho os olhos e sonho. Sonhar mas não acreditar. Desisto! Tento acordar. É impossível. No entanto, o que me resta então? Chorar!!! E assim o faço. Choro, embora, não sinta alguma calma ou paz. A tristeza ainda permanece em mim. Raiva. Alguém me diz: “Você é humana”. Levanto a cabeça e acrescento: “Errar faz parte”. Um pouco de minha angustia partiu... Decidi tentar comer, andar, falar, dormir, ouvir, estudar, me interessar, compreender, curtir, acreditar, voltar a acreditar no amor. Após tantas desilusões, tantos amores não correspondidos, amar de novo não é tão fácil quanto visa ser. Voltar a acreditar em algo tão mágico é quase impossível. Embora, eu saiba que é o que eu devo fazer. Desilusão se resume no estado de minha face, em minhas palavras sem sentido, em meus atos, meus olhos, meu andar, meu desanimo. Desilusão é somente o que resta em mim. Preciso me desapegar a este erro. Ainda que tenha a aparência de ser apropriada a minha vidinha tão sem graça, passam-se horas, dias, anos e nenhum passo avançado, nenhum ato tomado. Exausta, olho para o céu e me manifesto:

“Senhor, me ajuda! Me ajuda a ter forças novamente e conseguir a voltar a acreditar no amor. Senão, por favor, coloque alguém em minha vida que me faça crer nisto. Eu imploro, senhor. Porque eu sei que o mundo sem amor não é nada. Assim, nós, seres humanos, também não seríamos nada. Sei que o amor é tão grande quanto o universo e, também, que ele é o que nos move e nos faz acreditar e sonhar. Ser ausente do amor não é algo que se anseie, simplesmente, acontece. Se não amo, não sonho, não tenho fé e não vivo. Rezar é a última opção já que perdi minhas esperanças. Seja como for, que algo aconteça logo. Antes que o pior se revele. Não tenho forças para mais nada. Somente rezar e lhe implorar ajuda. E que, o senhor, faça o melhor para mim. Agradeço por tudo. Amém!”
Aline Bueno

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