quarta-feira, 25 de maio de 2011

A nossa musica, o ódio e o perdão


“Eu esqueço de tudo, eu me perco num mundo sem você. Lá fora não volto mais, pois meu lugar é ao lado teu.”

A nossa música. Se lembra de quando nos falamos pela primeira vez? [...] A época em que a Banda Hevo84 se revelava para o mundo. Me lembro que era fã da musica “Passos escuros”. E você era fã da própria banda, me fazendo virar fã também. Entretanto, o que mais marcou foi que você me surpreendeu quando fez uma homenagem a mim com uma outra musica que eu não conhecia. Ela se chamava “Meu mundo sem você”. E a partir deste momento, ela se tornou a nossa musica. Ao mesmo tempo, em que a chama de meu amor aumentava por você, o mesmo acontecia pela banda.
E foi num dia desses, depois de tanto tempo, que o CD desta banda eu comecei a escutar. Num simples toque desta musica, me fez lembrar você. Parei o que estava fazendo e deixei com que meu subconsciente vagasse no meu passado.
Um sorriso se formou em meus lábios. Esse era diferente de tantos outros. Não havia malícia, timidez ou segundas intenções. Era um sorriso gostoso, porque era bom. Se traduzia em alegrias e não arrependimentos. A sensação também era boa. Me fez pensar em alguns meses atrás. Assim, me surpreendeu por completo.
Até a algumas horas atrás, eu não podia escutar essa musica, porque chorava e me machucava cada vez mais. Como se alguém tentasse cravar um buraco bem fundo dentro de meu coração. Minha vida se resumia em tristeza e muito ódio. Os dias haviam se alterado. Mas, meu estado físico só havia piorado. Pensei: “Não quero sentir ódio, não quero ouvir teu nome e me lembrar somente dos momentos ruins. Aonde se encontram os bons?”
Pela primeira vez, não te condenei pelos teus atos, mas me coloquei em seu lugar. Concluí que você era uma pessoa indecisa. Que não confiava em você mesmo, portanto, não confiava no que eu dizia. Talvez, até gostasse de mim, mas acredito que não queria. Sabe, hoje depois de pensar em tudo isto, eu não sou capaz de te julgar como antes. Não sinto ódio por ti, mas também não te amo mais. Não direi que aprovo ou reprovo tuas decisões, mas te parabenizarei por teus atos.
A vida é complicada. Eu que pensava que nunca te perdoaria, hoje descobri que te sou capaz de te perdoar. Agora, a pergunta vai para você: “Você já se perdoou? Me perdoou?”. Pelo o que vejo, não. Só que, quem está perdendo é você mesmo. Não guardo nem rancor nem ódio, porque sei que não me faz bem. Do mesmo modo, continuar assim, também não está te beneficiando em nada.
“Você gostaria de ouvir meu nome e se lembrar de todos os momentos ruins? Gostaria de sentir ódio por mim? Sendo que não sou só eu que sou errada nesta historia?” Eu não! E por isso que hoje, quando eu escuto a nossa música, não consigo me lembrar dos momentos ruins que juntos passamos. Sabe quais as imagens que aparecem em minha mente quando eu escuto a nossa musica ou o teu nome?
Dos momentos em que um sorriso e um olhar se traduziam em: “Ei: eu te amo!”. Dos abraços apertados, dos beijos calientes, dos carinhos. Daquela alegria quando nossos olhares se encontravam a quilômetros de distância.  Da nossa timidez. Das provocações que fazíamos só para ver o outro nervoso. Dos lugares em que fomos. Das caminhadas de mãos dadas. Dos “eu te amo” que tantas vezes se pronunciava. Daquele calor que só nós sentíamos. Dos sonhos que construímos. Dos desejos realizados.  E muito mais.
Às vezes, até me emociono de tanta alegria. Alegria por saber que tudo isso aconteceu. Que você fez parte de meu passado. Que você escreveu, em um livro de memórias, uma parte de minha historia. A nossa história. Que mesmo não tendo um final feliz, ou um final que gostaríamos, o que realmente importa é que aconteceu que foi bom enquanto durou e que fomos felizes. Pra que negar? Os nossos olhares nos entregavam. E eu sempre vi a alegria, escondida atrás da tristeza...
Vou confessar: sinto saudade. Não de você, mas do jeito como me tocava, do modo como se referia a mim, dos carinhos que só você sabe fazer, do modo como me deixava tímida e me surpreendia quando corria ao meu encontro, da maneira como conseguia me desligar da realidade, de como a paz reinava quando você se encontrava presente, daqueles besteiras/bobeiras que fazíamos por amar o outro...
Não me arrependo de nada dito ou provado. E mesmo que, minhas decisões foram impulsivas, se tornaram as melhores decisivas. E mesmo que, nós tenhamos sofrido e chorado, no final a paz foi quem reinou. E mesmo que, tivemos errado muito, a vida nos deu novos caminhos e escolhas. Não somos o que somos hoje, se nenhum de nós existisse. Agradeço por deus, ter te colocado no caminho de meu destino. Porque, aprendi muito com tudo isso...
Não se torture, querendo com que as coisas fossem de outra maneira. É o nosso destino e ele não nos permitiu viver eternamente sem guardar algum desentendimento. E você sabe mais do que eu, que não foram poucas brigas. Nosso destino é ajudar o outro.
Obrigada por todo o sofrimento que impôs a mim e, acima de tudo, por todo o amor e a luta. E que um dia, assim como eu, você sinta o que sinto. Você sorria da mesma forma que sorrio. Um sorriso de alegria, transformação, de ter conseguido vencer esta luta, de saber que foi feliz e foi bom. E que teus olhos se mergulhem no mar da alegria e da aprovação de um passado inesquecível, do nome do responsável por tornar isso real, da gratidão ao que já se passou e que guarda saudades de um grande tempo. A época em que nossa historia estava sendo escrita sobre uma pedra. Com muito amor, afeto, alegria, luta, esperança e compaixão.
Aline Bueno

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