sexta-feira, 29 de abril de 2011

Segundo Mundo

Minha mente tentou te buscar. Uma bela reprodução para uma antiga lembrança. Parecia tudo tão real. Era tudo tão real. Seu jeito, seu sorriso, a cor de seus olhos, seu cheiro, sua voz. Tão perfeito. Embora, fosse só isso que minha mente conseguiu recriar. E aquela cena, aquela mesma cena virou um CD riscado. Sempre e sempre os mesmos gestos, as mesmas falas. A quem eu enganava? Você nunca passou de um sonho, uma lembrança para mim, porque você nunca existiu. Você era somente uma reprodução de minha mente que se repetia inúmeras vezes. Mas aquele amor que eu sentia, era real demais. Eu me perdi. Me perdi num mundo que criei. Num mundo onde tudo acontece, onde quem comanda cada detalhe sou eu. O mundo que eu sempre quis viver. O meu segundo mundo. Pois bem, eu me encontrava neste mundo. Eu estava ali, mas não estava feliz. A ilusão da perfeição com qual te criei, não me satisfazia mais. Já não sentia teu cheiro, ouvia tua voz, e nem sentia o gosto de teus beijos. Meu segundo mundo havia se tornado o verdadeiro mundo. Eu não podia mais viver nele. Procurei em cada canto daquele lugar uma saída, uma resposta, uma esperança. Revirei cada mínimo detalhe e nada encontrei. Aquele mundo colorido, alegre e harmonioso, se revelou o lado negro que eu tanto fugia. Já não havia cor ou um pequeno sinal de amor, alegria e esperança. Tudo ao meu redor estava morto. Eu não ouvia meus passos. Estava tudo escuro. Nunca havia me perdido de tal maneira. Comecei a chorar, embora, soubesse que o choro só traria mais angustia a mim mesma. De repente, eu percebi que não havia ar. Como eu poderia viver se o que me mantém viva é o ar? Eu não sabia, mas no meu mundo aquilo era possível... Aquele coração que pulsava cada vez mais forte e que quase me matava deixou-se levar pela tristeza. Parou de bater. Mas, meu corpo ainda se encontrava ali intacto. Eu não precisava nem de ar nem das batidas de um coração para viver naquele mundo. Busquei em minha alma a alegria e a esperança que sempre permaneceu presente. E quando dei por mim. Já não tinha mais alma. Onde estou? Olhei em minha volta. Não havia um sinal de vida. Não havia nada. Gritei. E só o que ouvi foi o eco de minha voz desesperada. Parecia mais um de meus pesadelos. Comecei a correr em qualquer direção. Corria em círculos, até que cansei e me joguei no chão. Eu queria sair daquele mundo que eu criei e me prendi. Pensei em tudo o que havia acontecido. Não havia ar. Meu coração parou de bater. Minha alma deixou de existir. Se tudo havia morrido, então, eu também estava morta. Estava morta e presa num mundo que sempre julguei ser o melhor mundo para se viver. E foi assim, que eu concluí que eu jamais conseguiria sair daquele mundo. O meu segundo Mundo!
Aline Bueno

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