terça-feira, 5 de abril de 2011

Em meus sonhos, eu te procurava...


... Você me pedia socorro, mas eu não podia te salvar. Embora, eu tentasse ir ao teu encontro, eu não conseguia sentir minhas pernas. Não as encontrava em lugar nenhum. Então, continuar ali parada, te olhando sobre o chão se contraindo, gritando e implorando ajuda, sem poder fazer nada, não fazia mais sentido.  Baixei a cabeça, e fechei os olhos. Não conseguiria ver aquela cena por mais tempo. Mas também, não conseguia sair dali. Só ouvia você gritar e gritar de dor e pedir por socorro. De repente, tudo ficou quieto. Então, eu conclui que você tinha ido embora. Entretanto, me enganei. Você ainda não tinha partido. Tudo ao meu redor havia paralisado menos eu. Comecei a sentir minhas pernas, eu podia andar de novo, embora não encontrasse forças. Respirei fundo e dei um passo. Não cai. Em meio a confusão, comecei a andar devagar. Fui indo direto aonde você se encontrava. E quando cheguei perto de ti, paralisei. Aquela pessoa, não era você. Como isso poderia acontecer? Eu te conhecia tão bem, eu tinha certeza absoluta que aquele ser era você. Mas, havia me enganado outra vez. Aquele corpo, aquele rosto eram meus. Uma verdadeira reprodução minha. Então porque eu estava ali morrendo, naquela floresta? Não fazia a menor ideia. Comecei a analisar cada parte daquele rosto: sem vida, frustrado, triste, arrependido, com ódio. Ódio do que? Minha vida sempre foi tão perfeita, tão maravilhosa... Contudo, aquela pessoa tinha o olhar fixo em algum lugar. Ela estava com a cabeça virada pro sentido contrário que eu vinha. Resolvi seguir seu olhar. Me deparei com um ser paralisado, como tudo a minha volta. Olhei de cima a baixo aquela pessoa, pelo menos umas três vezes. Não podia ser verdade! Aquele ser estava com uma faca na mão embrulhada de sangue. O sangue era meu. Senti uma dor enorme em meu peito. Olhei e vi uma ferida. E eu tinha certeza que ela foi causada pela aquela faca. Agora eu encarava aquele ser com ódio. Muito ódio. Não daquele ser, mas do que eu sentia por aquele ser. Já falei o nome dessa pessoa? Você! Você tirou minha vida, roubou minha felicidade, e partiu meu coração. Realmente, te devo toda a minha gratidão! Obrigada por me iludir, mesmo assim continuo te amando. Te amando apenas por não conseguir sentir ódio por ti. Quer saber de uma coisa? Você não vale mais nada em minha vida.
Aline Bueno

Nenhum comentário:

Postar um comentário