sábado, 9 de abril de 2011

Confissão: A Minha Companheira


Quando se tem amigos ao nosso lado, nos aconselhando e nos amando. Quando se tem uma família que te apoia. Quando se tem um lar, uma comida, uma roupa, um chuveiro, uma cama, um cobertor. Quando se tem carinho, amor e paz há lugar para o individualismo e a solidão? NÃO... Quer dizer, só se a pessoa quiser! E eu, sou uma delas. Posso ter tudo de bom, posso ter grandes amigos, posso compartilhar amor e carinho, mas não posso ficar com quem quero. Muitos sabem de quem estou falando. Mas, se perguntam o porquê. É o seguinte: só fica na solidão quem quer, e eu quero. Mais porque eu desejaria algo tão sombrio, inapropriado, inútil e desnecessário para a minha vida? É fácil!
[...]
Dois anos, com o mesmo sentimento doentio por ti, que pulsa cada vez mais forte em meu peito. Esse sentimento, essa dor, não é nada. Porque, o verdadeiro amor, ainda virá. Virá de uma forma, que eu não espero. Farão piores, muitos piores estragos. Disso eu tenho certeza. Mas eu prefiro sofrer com a verdade a ser feliz com a mentira. Porque, foram um ano e meio de pura esperança. Esperança em algo que eu sabia que não iria acontecer. E hoje, eu tenho a prova. A verdade, enfim, apareceu. De uma maneira dolorosa. Depois de muito tempo, eu me entreguei, e acreditei que tudo o que ele dizia, não passava de uma mentira. E que tudo o que vocês diziam, era somente a realidade, que eu nunca quisera entender e me entregar. E até hoje, até hoje me perguntam: “Porque você se martiriza tanto por ele?” e eu respondia: “Porque eu o amo, e tenho esperança de um dia ficar ao seu lado”. Mas, neste exato momento, eu responderia: “O amor é cego, e o meu por ele é muito pior. Segui caminhos errados, e tive atitudes piores ainda. Posso ter errado muito, mas também, pedi muitos perdões. Esse amor é só uma base do verdadeiro, do que eu ainda irei sentir. Mas, havia algo, algo em que eu sentia força e esperança para continuar. Algo em que eu me apoiava e acreditava. Ela se chamava: mentira. Ela estava em minha frente, em minhas mãos e eu a escolhi, por vontade própria. Eu, com certeza, era louca por ele, por aquele amor. Então, fiz tudo sem saber suas consequências, e muito menos, sem saber o que realmente estava fazendo".
Hoje, eu me entreguei à solidão. Entreguei-me porque aceitei a realidade. Sei que não é o caminho certo a seguir. Mas, eu não tenho forças. Não tenho forças, não tenho vontade de lutar com a solidão. Por isso, que eu me entreguei. Eu prefiro viver assim. Porque, ela é o único motivo, para eu escrever todos esses textos. Meu único refúgio. A única saída, que eu encontrei. A mais fácil, mas, ao mesmo tempo, mais dolorosa. Eu prefiro me entregar a solidão do que lutar com ela. Contudo, podem ter certeza, que essa será a primeira e última vez. Porque, sempre haverá uma segunda, e eu quero estar preparada para enfrentá-la da maneira correta. Mais antes, eu quero senti-la por completo. Eu a quero aqui e agora. Eu quero que ela me faça chorar. Faça-me sentir dor. A mais dolorosa dor. Eu quero, e eu preciso sentir isso. Podem não acreditar, mas isso vale a pena. Porque, eu sou 1 em 1 milhão de pessoas que já se entregaram a solidão, desta forma.
Se você estivesse no meu lugar, se você sentisse o que sinto, tenho certeza de que você faria, exatamente, tudo que fiz. Não se arrependeria, já que se é errando que se aprende. Você me entenderia e me apoiaria. Mas como você não tem ideia, eu não poderei fazer nada. Apenas, dizer:
“Oh, solidão! Minha companheira, de tantos dias. De tantas lutas. Tantos anos. Você é a fonte de toda a minha gratidão. Obrigada, por compartilhar comigo essa dor. Obrigada, por ser a única que me apoiou. Eu sempre serei grata pelo o que fizestes por mim. Mas agora, você pode seguir seu caminho, e me deixar em paz. Vá, e não volte nunca mais.”
Aline Bueno

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