quarta-feira, 20 de abril de 2011

Aos poucos...

Aos poucos algo começou a nascer em meu coração. Eu não conseguia identificá-lo. E não sabia como ele era grande. Começou com pequenas vontades de te olhar toda hora. De saber que você estava ali. Que você estava feliz. Mas, por conta do destino e do egoísmo, havia uma barreira que eu não me intrometia quebrar. Estava cega por algo inapropriado e não queria saber de mais nada. Os dias foram passando. As horas foram se alterando. Os minutos mudando. Eu já sabia que existia algo forte e bonito habitado em minha alma, mas não queria acreditar. Enfim, as aulas acabaram. Venho a formatura. Depois as férias. E então, meu coração mudou de frequência. Um sentimento se revelou. Paralisei. Não conseguia me mexer, andar. Fechei meus olhos. Respirei fundo. E comecei a ouvir as batidas que, a partir daquele dia, eu encontraria. Um sorriso em meus lábios apareceu. Eu queria tanto aquilo. Depois de tudo o que passei e depois de tudo o que sofri, o que eu sempre pedia era que eu pudesse amar outra vez. Meu desejo foi realizado. Assim como o seu também. E pela primeira vez, eu sonhei com você... Em meu sonho, eu estava feliz. Apaixonada. Andava no pátio da escola. Ia de encontro a alguém. Um sorriso sem jeito se formou. Eu fiquei tímida. Sentei-me ao seu lado. Você me abraçou. E eu te agarrei. Não queria te soltar. Eu estava tão bem. Aquele seu abraço, me confortava. Sua presença me acalmava. Sua voz me animava. Você dizia que me amava. E eu fazia o mesmo. Era um momento perfeito. Tão perfeito, que eu nem tinha reparado, que algumas pessoas nos olhavam com certa indiferença. Talvez, não estavam acreditando no que viam. Então, eu te agarrei ainda mais e te beijei. Foi um beijo rápido e calmo, mas satisfez aquela vontade que já se formava em mim. Eu acordei. Nem tinha percebido, eu não estava em casa. Fui numa festa de pijama com minhas amigas. Eram mais de 3h da manha. Elas estavam na cozinha. Eu deitada em uma das camas. Abri meus olhos e fiquei ali olhando o teto. Estava tão feliz, tão realizada. Meus pensamentos foram preenchidos com imagens suas. Imaginações de como seria eu e você juntinhos. Alguém me interrompeu. Minhas três amigas entraram no quarto. E logo perceberam que havia acontecido alguma coisa. Foram correndo e se sentaram no meu lado. Queriam saber o que tinha acontecido, ou melhor, o que eu havia sonhado. Confessei. Disse tudo o que tinha acontecido. Ficaram mais felizes do que eu. Abraçaram-me, me parabenizaram e me disseram que a gente se combina e que íamos ficar juntos. Eu sabia que ia acontecer. Você me amava e eu te amava. O que mais poderia dar errado? Alguns meses se passaram. Já havia voltado às aulas. E aquele amor estava ficando mais forte. Embora eu havia me esquecido de um certo problema: eu também gostava de outra pessoa. Uma pessoa que só me fez sofrer. Minha vida é complicada. Daria tudo pra ficar com você e esquecer essa pessoa. Mas, o que eu poderia fazer? Essa era a realidade. Eu não podia desafiá-la!  Decidi me entregar a você. Pedi-te uma chance e você a concedeu. Ao mesmo tempo em que estava feliz, não estava. Sentimentos e angustias se misturavam dentro de mim. Arrependi-me na hora. Eu não deveria ter feito aquilo. O que eu pensava? Eu ainda não estava pronta para seguir com outro relacionamento! Uma parte de meu coração ainda batia por aquele garoto idiota. Fui embora chorando. Não consegui dormir. O que eu fiz pra merecer isso? Eu amo ele, porque esse impedimento agora? No dia seguinte, eu contei tudo pra ele, depois que chorei muito e ouvi todos os conselhos. Eu pedi perdão, mas sabia que isso não serviria de nada. Eu o iludi. O fiz sofrer. Eu não era um monstro, eu não fazia essas coisas. Eu realmente havia mudado. Não me conhecia mais. Quase dois meses se passaram. Eu terminei de vez com aquele garoto. Ele já não fazia mais parte de minha vida. Eu já não o amava mais. Pensei durante duas semanas, no que poderia fazer para consertar meu erro. Pedi conselhos ao seu melhor amigo. E ele me confirmou que você ainda gostava muito de mim. Criei coragem e te pedi uma segunda chance. Para a minha surpresa, você a recusou. Meu mundo desabou. Não tinha mais vontade de viver. Chorei. Perdi minhas forças. Havia criado muitas expectativas. Isso não era certo. Você me disse que já não me amava como antes e que eu precisava de tempo para pensar melhor no que realmente queria. Não pude discordar. Você estava certo. Passei uns dias pensando no que você me disse. Tentei viver, eu juro que tentei, mas eu não consegui. Tudo o que eu queria tudo o que ansiava era te ter para mim. Eu errei, eu sei que errei. Eu ti fiz mal. Mas, agora eu te amo. Eu quero te fazer feliz. Nunca quis te machucar. Só não tinha consciência das consequências. Por favor, volta pra mim. Me diz que ainda me ama. Me diz que ainda pensa em mim. Me diz que ainda um coração bate implorando por mim. Por favor, eu não vou conseguir viver sem ter você. Eu te amo demais pra conseguir ficar longe de ti. E eu sei que você também me ama. Que também me quer, tanto quanto eu te quero. Que você não aguenta mais lutar com essa vontade que te domina toda vez que encontra o meu olhar. Não falo por desespero, falo por vontade própria. Falo porque é a verdade. Porque eu não aguento mais te ver todo dia e não poder de tocar da maneira que gostaria. Não poder te acariciar. Te dizer tudo o que sinto. Te beijar... O que eu posso fazer pra você acreditar em mim? Perdoa-me? Será que tem volta? Será que é tarde demais? Diga-me que não!
Aline Buenoo

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