sexta-feira, 29 de abril de 2011

Aceitar as coisas como são...

Aceitar as coisas como são é tão difícil quanto compreender o porquê elas estão acontecendo. Não sei se o erro foi meu ou se é apenas mais um obstáculo que sou obrigada a enfrentar. O fato é que eu criei expectativas e ilusões demais. Fui além do que podia. E por isso, pela terceira vez, eu me machuquei. Só que desta vez, o que eu tanto ansiava era certo. Pena que foi só mais uma esperança criada e destruída. Eu tenho saudades daquela época em que eu era uma garotinha ingênua e inocente, que não tinha descoberto como era o verdadeiro mundo. Que não sabia que existiam pessoas más. Que não havia descoberto o que era o amor, e logo em seguida, a dor de uma perda, o vazio, o torpor e a angustia. Eu tenho saudades de quando um abraço, um ‘eu te amo’ e um ‘se cuida’ eram verdadeiros. Porque hoje, depois de descobrir tudo isto, o que me resta é só a lamentação e a dor. Cair três vezes pelo mesmo motivo, ficar com o coração partido e continuar vivendo, não é algo que se possa explicar que se possa entender. As decepções veem assim: quando menos a esperamos, quando menos estamos preparados, elas surgem. Não há como explicar. Só sentir mesmo. Mas, depois de tudo que passei tudo o que senti, ainda acredito que por trás desta tristeza há uma alegria. Que por trás desta dor haverá um amor. Que por trás deste buraco sem fim há uma esperança. Uma esperança de um dia amar e ser correspondida. De encontrar a paz e a felicidade. De voltar a sorrir, sem segurar uma lágrima. De achar meu lugar neste mundo. De amar, confiar e não se decepcionar. Acredito e jamais deixarei de acreditar nestas coisas. Porque eu tenho certeza de que coisas piores acontecerão. Que eu ainda cairei e me decepcionarei muito. Mas ninguém vem ao mundo para sofrer, se não lutar e aprender a amar, a ser feliz. Enfim, viver!
Aline Bueno

Segundo Mundo

Minha mente tentou te buscar. Uma bela reprodução para uma antiga lembrança. Parecia tudo tão real. Era tudo tão real. Seu jeito, seu sorriso, a cor de seus olhos, seu cheiro, sua voz. Tão perfeito. Embora, fosse só isso que minha mente conseguiu recriar. E aquela cena, aquela mesma cena virou um CD riscado. Sempre e sempre os mesmos gestos, as mesmas falas. A quem eu enganava? Você nunca passou de um sonho, uma lembrança para mim, porque você nunca existiu. Você era somente uma reprodução de minha mente que se repetia inúmeras vezes. Mas aquele amor que eu sentia, era real demais. Eu me perdi. Me perdi num mundo que criei. Num mundo onde tudo acontece, onde quem comanda cada detalhe sou eu. O mundo que eu sempre quis viver. O meu segundo mundo. Pois bem, eu me encontrava neste mundo. Eu estava ali, mas não estava feliz. A ilusão da perfeição com qual te criei, não me satisfazia mais. Já não sentia teu cheiro, ouvia tua voz, e nem sentia o gosto de teus beijos. Meu segundo mundo havia se tornado o verdadeiro mundo. Eu não podia mais viver nele. Procurei em cada canto daquele lugar uma saída, uma resposta, uma esperança. Revirei cada mínimo detalhe e nada encontrei. Aquele mundo colorido, alegre e harmonioso, se revelou o lado negro que eu tanto fugia. Já não havia cor ou um pequeno sinal de amor, alegria e esperança. Tudo ao meu redor estava morto. Eu não ouvia meus passos. Estava tudo escuro. Nunca havia me perdido de tal maneira. Comecei a chorar, embora, soubesse que o choro só traria mais angustia a mim mesma. De repente, eu percebi que não havia ar. Como eu poderia viver se o que me mantém viva é o ar? Eu não sabia, mas no meu mundo aquilo era possível... Aquele coração que pulsava cada vez mais forte e que quase me matava deixou-se levar pela tristeza. Parou de bater. Mas, meu corpo ainda se encontrava ali intacto. Eu não precisava nem de ar nem das batidas de um coração para viver naquele mundo. Busquei em minha alma a alegria e a esperança que sempre permaneceu presente. E quando dei por mim. Já não tinha mais alma. Onde estou? Olhei em minha volta. Não havia um sinal de vida. Não havia nada. Gritei. E só o que ouvi foi o eco de minha voz desesperada. Parecia mais um de meus pesadelos. Comecei a correr em qualquer direção. Corria em círculos, até que cansei e me joguei no chão. Eu queria sair daquele mundo que eu criei e me prendi. Pensei em tudo o que havia acontecido. Não havia ar. Meu coração parou de bater. Minha alma deixou de existir. Se tudo havia morrido, então, eu também estava morta. Estava morta e presa num mundo que sempre julguei ser o melhor mundo para se viver. E foi assim, que eu concluí que eu jamais conseguiria sair daquele mundo. O meu segundo Mundo!
Aline Bueno

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Aos poucos...

Aos poucos algo começou a nascer em meu coração. Eu não conseguia identificá-lo. E não sabia como ele era grande. Começou com pequenas vontades de te olhar toda hora. De saber que você estava ali. Que você estava feliz. Mas, por conta do destino e do egoísmo, havia uma barreira que eu não me intrometia quebrar. Estava cega por algo inapropriado e não queria saber de mais nada. Os dias foram passando. As horas foram se alterando. Os minutos mudando. Eu já sabia que existia algo forte e bonito habitado em minha alma, mas não queria acreditar. Enfim, as aulas acabaram. Venho a formatura. Depois as férias. E então, meu coração mudou de frequência. Um sentimento se revelou. Paralisei. Não conseguia me mexer, andar. Fechei meus olhos. Respirei fundo. E comecei a ouvir as batidas que, a partir daquele dia, eu encontraria. Um sorriso em meus lábios apareceu. Eu queria tanto aquilo. Depois de tudo o que passei e depois de tudo o que sofri, o que eu sempre pedia era que eu pudesse amar outra vez. Meu desejo foi realizado. Assim como o seu também. E pela primeira vez, eu sonhei com você... Em meu sonho, eu estava feliz. Apaixonada. Andava no pátio da escola. Ia de encontro a alguém. Um sorriso sem jeito se formou. Eu fiquei tímida. Sentei-me ao seu lado. Você me abraçou. E eu te agarrei. Não queria te soltar. Eu estava tão bem. Aquele seu abraço, me confortava. Sua presença me acalmava. Sua voz me animava. Você dizia que me amava. E eu fazia o mesmo. Era um momento perfeito. Tão perfeito, que eu nem tinha reparado, que algumas pessoas nos olhavam com certa indiferença. Talvez, não estavam acreditando no que viam. Então, eu te agarrei ainda mais e te beijei. Foi um beijo rápido e calmo, mas satisfez aquela vontade que já se formava em mim. Eu acordei. Nem tinha percebido, eu não estava em casa. Fui numa festa de pijama com minhas amigas. Eram mais de 3h da manha. Elas estavam na cozinha. Eu deitada em uma das camas. Abri meus olhos e fiquei ali olhando o teto. Estava tão feliz, tão realizada. Meus pensamentos foram preenchidos com imagens suas. Imaginações de como seria eu e você juntinhos. Alguém me interrompeu. Minhas três amigas entraram no quarto. E logo perceberam que havia acontecido alguma coisa. Foram correndo e se sentaram no meu lado. Queriam saber o que tinha acontecido, ou melhor, o que eu havia sonhado. Confessei. Disse tudo o que tinha acontecido. Ficaram mais felizes do que eu. Abraçaram-me, me parabenizaram e me disseram que a gente se combina e que íamos ficar juntos. Eu sabia que ia acontecer. Você me amava e eu te amava. O que mais poderia dar errado? Alguns meses se passaram. Já havia voltado às aulas. E aquele amor estava ficando mais forte. Embora eu havia me esquecido de um certo problema: eu também gostava de outra pessoa. Uma pessoa que só me fez sofrer. Minha vida é complicada. Daria tudo pra ficar com você e esquecer essa pessoa. Mas, o que eu poderia fazer? Essa era a realidade. Eu não podia desafiá-la!  Decidi me entregar a você. Pedi-te uma chance e você a concedeu. Ao mesmo tempo em que estava feliz, não estava. Sentimentos e angustias se misturavam dentro de mim. Arrependi-me na hora. Eu não deveria ter feito aquilo. O que eu pensava? Eu ainda não estava pronta para seguir com outro relacionamento! Uma parte de meu coração ainda batia por aquele garoto idiota. Fui embora chorando. Não consegui dormir. O que eu fiz pra merecer isso? Eu amo ele, porque esse impedimento agora? No dia seguinte, eu contei tudo pra ele, depois que chorei muito e ouvi todos os conselhos. Eu pedi perdão, mas sabia que isso não serviria de nada. Eu o iludi. O fiz sofrer. Eu não era um monstro, eu não fazia essas coisas. Eu realmente havia mudado. Não me conhecia mais. Quase dois meses se passaram. Eu terminei de vez com aquele garoto. Ele já não fazia mais parte de minha vida. Eu já não o amava mais. Pensei durante duas semanas, no que poderia fazer para consertar meu erro. Pedi conselhos ao seu melhor amigo. E ele me confirmou que você ainda gostava muito de mim. Criei coragem e te pedi uma segunda chance. Para a minha surpresa, você a recusou. Meu mundo desabou. Não tinha mais vontade de viver. Chorei. Perdi minhas forças. Havia criado muitas expectativas. Isso não era certo. Você me disse que já não me amava como antes e que eu precisava de tempo para pensar melhor no que realmente queria. Não pude discordar. Você estava certo. Passei uns dias pensando no que você me disse. Tentei viver, eu juro que tentei, mas eu não consegui. Tudo o que eu queria tudo o que ansiava era te ter para mim. Eu errei, eu sei que errei. Eu ti fiz mal. Mas, agora eu te amo. Eu quero te fazer feliz. Nunca quis te machucar. Só não tinha consciência das consequências. Por favor, volta pra mim. Me diz que ainda me ama. Me diz que ainda pensa em mim. Me diz que ainda um coração bate implorando por mim. Por favor, eu não vou conseguir viver sem ter você. Eu te amo demais pra conseguir ficar longe de ti. E eu sei que você também me ama. Que também me quer, tanto quanto eu te quero. Que você não aguenta mais lutar com essa vontade que te domina toda vez que encontra o meu olhar. Não falo por desespero, falo por vontade própria. Falo porque é a verdade. Porque eu não aguento mais te ver todo dia e não poder de tocar da maneira que gostaria. Não poder te acariciar. Te dizer tudo o que sinto. Te beijar... O que eu posso fazer pra você acreditar em mim? Perdoa-me? Será que tem volta? Será que é tarde demais? Diga-me que não!
Aline Buenoo

domingo, 10 de abril de 2011

Talvez um dia...


Talvez um dia eu volte a ser a garota que era. Aquela que conseguia sorrir sem derramar uma lágrima. Que, apesar do que acontecesse em sua vida, tinha bom humor. Aquela que saía com seus amigos a fim de se divertir, e não apenas encontrar um caminho do qual possa sair do abismo de seu quarto. Aquela que tinha bons sonhos. Que enfrentava os raros pesadelos como algo que nunca iria acontecer. Aquela que quando deitasse em sua cama, conseguia relaxar e dormir, e não rolava de um lado pro outro, com a insônia batendo na porta de seus olhos. Aquela que independente da hora que ia dormir e da hora que acordava, sempre estava feliz. Aquela que se arrumava apenas para se sentir bonita, e não apenas para acreditarem que ela estava bem. Aquela que falava sem medo de que uma de suas palavras entregasse o que sua alma sentia. Aquela que conseguia fechar os olhos, sem medo de que a sua imagem aparecesse. Aquela que gostava de viver, que gostava de desafios. Aquela que tinha forças para andar e se levantar quando caísse. Aquela que tinha um brilho nos olhos. Aquela que acreditava em contos de fadas e em príncipes encantados. Aquela que sempre tentava estar rodeada de amigos, e não aquela que preferia ficar num canto sozinha. Aquela que escutava músicas alegres e agitadas. Aquela que chorava de felicidade, e não de angustia. Aquela que não se martirizava. Aquela que gostava de ficar em frente à janela, vendo o pôr do sol. Aquela que se alimentava por estar com fome, e não por falar que comeu alguma coisa. Aquela que sabia o valor de se ter uma vida. Aquela que não tinha um sentimento doentio por ti. Enfim, aquela que não te amava, que não sabia o que era o amor, que não se decepcionava que não se entregava por alguém que não valia nada. Aquela garota, que você nunca conheceu. Mas, que um dia conhecerá!
Aline Bueno

sábado, 9 de abril de 2011

Confissão: A Minha Companheira


Quando se tem amigos ao nosso lado, nos aconselhando e nos amando. Quando se tem uma família que te apoia. Quando se tem um lar, uma comida, uma roupa, um chuveiro, uma cama, um cobertor. Quando se tem carinho, amor e paz há lugar para o individualismo e a solidão? NÃO... Quer dizer, só se a pessoa quiser! E eu, sou uma delas. Posso ter tudo de bom, posso ter grandes amigos, posso compartilhar amor e carinho, mas não posso ficar com quem quero. Muitos sabem de quem estou falando. Mas, se perguntam o porquê. É o seguinte: só fica na solidão quem quer, e eu quero. Mais porque eu desejaria algo tão sombrio, inapropriado, inútil e desnecessário para a minha vida? É fácil!
[...]
Dois anos, com o mesmo sentimento doentio por ti, que pulsa cada vez mais forte em meu peito. Esse sentimento, essa dor, não é nada. Porque, o verdadeiro amor, ainda virá. Virá de uma forma, que eu não espero. Farão piores, muitos piores estragos. Disso eu tenho certeza. Mas eu prefiro sofrer com a verdade a ser feliz com a mentira. Porque, foram um ano e meio de pura esperança. Esperança em algo que eu sabia que não iria acontecer. E hoje, eu tenho a prova. A verdade, enfim, apareceu. De uma maneira dolorosa. Depois de muito tempo, eu me entreguei, e acreditei que tudo o que ele dizia, não passava de uma mentira. E que tudo o que vocês diziam, era somente a realidade, que eu nunca quisera entender e me entregar. E até hoje, até hoje me perguntam: “Porque você se martiriza tanto por ele?” e eu respondia: “Porque eu o amo, e tenho esperança de um dia ficar ao seu lado”. Mas, neste exato momento, eu responderia: “O amor é cego, e o meu por ele é muito pior. Segui caminhos errados, e tive atitudes piores ainda. Posso ter errado muito, mas também, pedi muitos perdões. Esse amor é só uma base do verdadeiro, do que eu ainda irei sentir. Mas, havia algo, algo em que eu sentia força e esperança para continuar. Algo em que eu me apoiava e acreditava. Ela se chamava: mentira. Ela estava em minha frente, em minhas mãos e eu a escolhi, por vontade própria. Eu, com certeza, era louca por ele, por aquele amor. Então, fiz tudo sem saber suas consequências, e muito menos, sem saber o que realmente estava fazendo".
Hoje, eu me entreguei à solidão. Entreguei-me porque aceitei a realidade. Sei que não é o caminho certo a seguir. Mas, eu não tenho forças. Não tenho forças, não tenho vontade de lutar com a solidão. Por isso, que eu me entreguei. Eu prefiro viver assim. Porque, ela é o único motivo, para eu escrever todos esses textos. Meu único refúgio. A única saída, que eu encontrei. A mais fácil, mas, ao mesmo tempo, mais dolorosa. Eu prefiro me entregar a solidão do que lutar com ela. Contudo, podem ter certeza, que essa será a primeira e última vez. Porque, sempre haverá uma segunda, e eu quero estar preparada para enfrentá-la da maneira correta. Mais antes, eu quero senti-la por completo. Eu a quero aqui e agora. Eu quero que ela me faça chorar. Faça-me sentir dor. A mais dolorosa dor. Eu quero, e eu preciso sentir isso. Podem não acreditar, mas isso vale a pena. Porque, eu sou 1 em 1 milhão de pessoas que já se entregaram a solidão, desta forma.
Se você estivesse no meu lugar, se você sentisse o que sinto, tenho certeza de que você faria, exatamente, tudo que fiz. Não se arrependeria, já que se é errando que se aprende. Você me entenderia e me apoiaria. Mas como você não tem ideia, eu não poderei fazer nada. Apenas, dizer:
“Oh, solidão! Minha companheira, de tantos dias. De tantas lutas. Tantos anos. Você é a fonte de toda a minha gratidão. Obrigada, por compartilhar comigo essa dor. Obrigada, por ser a única que me apoiou. Eu sempre serei grata pelo o que fizestes por mim. Mas agora, você pode seguir seu caminho, e me deixar em paz. Vá, e não volte nunca mais.”
Aline Bueno

terça-feira, 5 de abril de 2011

Em meus sonhos, eu te procurava...


... Você me pedia socorro, mas eu não podia te salvar. Embora, eu tentasse ir ao teu encontro, eu não conseguia sentir minhas pernas. Não as encontrava em lugar nenhum. Então, continuar ali parada, te olhando sobre o chão se contraindo, gritando e implorando ajuda, sem poder fazer nada, não fazia mais sentido.  Baixei a cabeça, e fechei os olhos. Não conseguiria ver aquela cena por mais tempo. Mas também, não conseguia sair dali. Só ouvia você gritar e gritar de dor e pedir por socorro. De repente, tudo ficou quieto. Então, eu conclui que você tinha ido embora. Entretanto, me enganei. Você ainda não tinha partido. Tudo ao meu redor havia paralisado menos eu. Comecei a sentir minhas pernas, eu podia andar de novo, embora não encontrasse forças. Respirei fundo e dei um passo. Não cai. Em meio a confusão, comecei a andar devagar. Fui indo direto aonde você se encontrava. E quando cheguei perto de ti, paralisei. Aquela pessoa, não era você. Como isso poderia acontecer? Eu te conhecia tão bem, eu tinha certeza absoluta que aquele ser era você. Mas, havia me enganado outra vez. Aquele corpo, aquele rosto eram meus. Uma verdadeira reprodução minha. Então porque eu estava ali morrendo, naquela floresta? Não fazia a menor ideia. Comecei a analisar cada parte daquele rosto: sem vida, frustrado, triste, arrependido, com ódio. Ódio do que? Minha vida sempre foi tão perfeita, tão maravilhosa... Contudo, aquela pessoa tinha o olhar fixo em algum lugar. Ela estava com a cabeça virada pro sentido contrário que eu vinha. Resolvi seguir seu olhar. Me deparei com um ser paralisado, como tudo a minha volta. Olhei de cima a baixo aquela pessoa, pelo menos umas três vezes. Não podia ser verdade! Aquele ser estava com uma faca na mão embrulhada de sangue. O sangue era meu. Senti uma dor enorme em meu peito. Olhei e vi uma ferida. E eu tinha certeza que ela foi causada pela aquela faca. Agora eu encarava aquele ser com ódio. Muito ódio. Não daquele ser, mas do que eu sentia por aquele ser. Já falei o nome dessa pessoa? Você! Você tirou minha vida, roubou minha felicidade, e partiu meu coração. Realmente, te devo toda a minha gratidão! Obrigada por me iludir, mesmo assim continuo te amando. Te amando apenas por não conseguir sentir ódio por ti. Quer saber de uma coisa? Você não vale mais nada em minha vida.
Aline Bueno

Olhando em teus olhos, eu dizia que te amava...


... Porém, não podia mais continuar te amando assim. Não tinha mais forças para vencer aquela ilusão. Um dia o coração é sempre capaz de amar novamente. E sim, é possível ser feliz. Você não podia discordar nem confirmar isso, mas entendia o que eu estava lhe dizendo. Seus olhos se encheram de lagrimas, e você me perguntou sobre todos os momentos que passamos juntos. Eu te respondi que eles ficariam guardados para sempre em nosso coração. Agora, você tinha certeza que eu não voltaria mais para seus braços. Perguntou sobre a dor. Disse que sempre há um jeito de lidar com ela e que se ele aceitasse isso, a venceria. Ele sabia do que eu estava falando. Ele viu eu lidar com a dor cada dia, cada minuto. Entretanto, havia ainda uma pergunta que ele gostaria de me fazer. Era sobre a saudade. Eu suspirei e murmurei que ele poderia me telefonar, uma vez por mês. Sem querer adiar aquela despedida, lhe falei que o amava, mas que seria melhor para nós dois assim! Dei-lhe um beijo no rosto, e fui embora. Não olhei para trás, porque não queria guardar aquela lembrança dolorosa em minha mente. A vida continua. Passado, presente e futuro se encontrarão. Talvez, em seus pensamentos. Porque eu disse adeus, e nunca mais voltarei. E sim, você terá que viver sua vida sem mim. Terá que enfrentar cada luta, sem minha ajuda. Eu sinto muito, se isso é difícil para ti. Mas saiba que para mim foi pior ainda. Fui embora, mas deixei contigo, uma parte de meu coração. Aquela parte que sempre me fez sofrer e chorar por você. Aproveite. Enfim, só agora eu serei livre para voar e sonhar. Apesar, ainda é tempo para amar!
Aline Bueno

O tempo passou...


O tempo passou. O mundo girou. Pessoas nasceram. Pessoas morreram. Ilusões foram destruídas. Sonhos foram construídos. Sorrisos trocados por choros. Choros trocados por sorrisos. Abraços confortantes. Tapas merecidos. Novos sentimentos. Velhas lembranças. Palavras mentirosas. Atos duvidosos. Noites em claro. Dias em escuro. Pensamentos inapropriados. Gestos contraditórios. Tristezas partindo-se. Esperanças se acendendo. Paginas viradas. Remorsos reaparecidos. Novos caminhos. Velhas escolhas. Arrependimentos. Confusões. Lagrimas. O por do sol. O nascer do sol. Chuvas arrasadoras. Sonhos perdidos. Refúgios reencontrados... E eu aqui outra vez, com o coração partido, chorando sem sentido.
Aline Bueno

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Lágrimas de nossa vida


Mais uma vez, lágrimas escorreram de meus olhos e foi difícil não deixar elas caírem. Persistiram tanto que eu as deixei lavar as lembranças que continham você. Mas, algo estava acontecendo. O que seria? Aquelas lágrimas eram diferentes das que já conheci. Não eram de alegria. E então, uma lágrima se apresentou a mim:
“Minha querida, eu sou a lágrima de solidão. E eu vim aqui para te fazer companhia. Venha comigo, e você não se arrependerá. Eu posso te ajudar a criar fantasias com ele. As mais belas fantasias que existem. Sente aqui, e vamos juntas a única saída que nos restam.”
Aquele convite era mesmo convincente. Irresistível. Não tinha como não aceitar. Não pensei duas vezes, eu só queria ficar com ele. Se não pudesse ser real, eu me confortaria com a ilusão. Mesmo antes de aceitar essa proposta venho outra lágrima e a mim se apresentou:
“Eu sou a lágrima da tristeza. Aquele que todos já conheceram. Só falta você. Venha comigo, minha querida. Eu sou a lágrima mais pura que existe e posso te ajudar. A única saída que tens é se render a mim e relembrar de todos os melhores momentos que passou com ele. Você poderá reviver cada segundo e sempre que quiser poderá reproduzi-los, pausar ou deixar em câmera lenta. Se entregue a mim e as únicas lembranças que restaram.”
Cada momento que eu vivi com ele, ali, em minhas mãos para sempre, pausadas, em câmera lenta. Outra boa proposta! Era a única coisa que eu poderia ter. Em qual deveria me entregar? ... Outra lágrima apareceu, rompendo meus pensamentos:
“Não chores assim. Eu sou a lágrima do ódio e vim para te salvar. Te salvar deste garoto que só te fez sofrer. Eu vim em paz, e te ajudarei a encontrar uma saída. Venha, pegue minha mão, vamos fazer ele sentir na pele o que você sentiu.”
Ah, com certeza! Com certeza essa era a lágrima que eu me entregarei. Ele não sabe o quanto me fez sofrer, está na hora de passar pelo que passei... Enfim, com muita delicadeza e rapidez. Uma lágrima envergonhada e desesperada gritou meu nome:
“Por favor, não as escutes.”
Suspirei e falei:
“Não, eu já me decidi. Irei me entregar a lágrima do ódio. Porque eu a escutaria?”
Cansada, a lagrima disse:
“Se você as seguir, se entregará a um buraco negro que existe dentro de ti e nunca mais poderá sair. Elas te farão escrava de suas próprias dores e medos. Escute-me! Eu sei o que estou dizendo, sou a lágrima da esperança. A salvação que muitos encontraram, mas que poucos seguiram. Eu posso te ajudar a superar tudo isso. Posso voltar a te fazer acreditar que um dia você encontrará seu verdadeiro príncipe, sua alma gêmea. E sim, esse dia chegará logo, mas você precisa estar preparada. Não estou mentindo. Você encontrará alguém muito melhor que ele. E esta pessoa, te fará feliz e te amará como você o ama. Junto com ela, você viverá um verdadeiro conto de fadas. Me dê a mão, se entregue a mim. Apesar, eu sou a única lagrima que convém seguir. A única que não vai te iludir e te prejudicar. Não tenha medo. Eu sou a ultima que morre. E sempre estarei ao seu lado. Dou minha palavra.
Eu estava confusa. Não conseguia pensar. Assimilar quem estava me enganando e quem estava falando a verdade. Elas queriam mesmo me confundir? Creio que sim! Lágrimas de vento escorreram de meus olhos. Decidi entrar de vez naquela dança. Respirei fundo. Pensei. Vi e revi todas as consequências que enfrentaria se decidisse escolher cada uma. Lágrimas de solidão só me ajudaria a criar fantasias com ele. Lágrimas de tristeza me ajudaria a relembrar cada momento que vivi junto dele e, poderia ver, rever, pausar ou deixar em câmera lenta quantas vezes quisesse e precisasse. Lagrimas de ódio me ajudaria a fazê-lo sentir o que senti. Não, não. Eu com certeza não vou seguir nenhuma delas. Fantasias não vão me satisfazer. Lembranças não passam de mentiras fajutas. Fazê-lo sofrer só me faria sofrer também. Eu o amo muito para querer seu mal. A única que me restou foi a lagrima da esperança. ÉH! Me entregarei a ela...
Algo estava acontecendo comigo. O que seria? Então, uma lágrima que eu reconhecia escapou do canto de meus olhos. E aquela feição cansada, desgastada, sofredora se foi, deixando com que um sorriso se abrisse em meus lábios e um brilho tomasse conta de meus olhos com lágrimas de alegria e esperança.
Aline Bueno