sábado, 12 de novembro de 2011

Procurando o amor


Um dia eu tentei. Eu juro que tentei escrever sobre o amor. Não consegui. Fiquei horas pensando em maneiras para que pudesse descrevê-lo. E nenhuma palavra se harmonizou com outra. Foi como tentar juntar dois ímãs com a mesma polaridade. Sem sucesso. Mas eu não desisti, ao contrário, eu persisti. Ainda assim, nada parecia ter um sentido. E se passaram dias, noites, semanas, meses e anos. Não obtive algum resultado. Escrever sobre o amor, parecia tão difícil, impossível. Cinco anos tentei e jamais consegui. Eu apenas escrevia sobre a desilusão, o amor não correspondido, o ato de vassalagem a qual me submetia dia após dia. Muitos me consagravam louca. E, de fato, eu era. Era louca, louca para encontrar o amor. O procurei no sofrimento, na tristeza, na escuridão, na dor, na solidão e só encontrei lágrimas. Já havia ouvido dizerem da felicidade, da luz, do prazer, da esperança e nunca quis, ao menos, me submeter a procurar em nenhum deles. Assim, eu jamais soube o efeito de amar. Procurei nas mais profundas trevas, experimentei os mais amargos sentimentos, aprovei o nada. No entanto, eu já havia cansado. Desisti de procurar o amor. Desisti de tudo o que eu havia conquistado. Atirei-me ao chão sem pensar no que poderia vir depois. Ali naquele mesmo lugar passei frio, fome, calor, sede. E um dia quando eu menos esperava, quando eu preferia a morte, alguém chamou pelo meu nome. Chacoalhou-me e fez-me abrir os olhos na escuridão. Foi assim que eu achei o amor. Ou melhor, o amor me encontrou. Ele estava em teu olhar, em tua boca, teu sorriso, tua voz. Nunca desejei tanto te ter em minhas mãos. Agora que eu me sinto completa, eu prometo jamais fugir do amor. Porque só o encontramos uma vez em toda uma vida. E eu não quero perdê-lo. Porque eu sei que sem o amor, eu viro um nada, sou somente lágrimas.
Aline Bueno

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Decepção


 A decepção ela vem assim quando a gente menos espera e com quem mais confiamos. É como um banho de água fria no inverno. É como andar sobre o fogo. É como um raio que atravessa nosso coração. É como sentir frio no calor e calor no frio. É como levar um choque na sua alma. Você paralisa. Não tem sentidos, não consegue racionar e muito menos acreditar naquilo. Você se pergunta "Por que isso? Por que ela? Por que comigo?". Embora lá no fundo não queira saber realmente a resposta. O que acontece depois? Você entra em contato com a emoção de chorar e assim o faz durante um bom tempo. Até que a tempestade de raiva dentro de ti tenha passado, você é somente lágrimas. Lamenta-se, senti raiva, ódio, pavor, desespero. Depois se acalma. A decepção é assim: passageira. No entanto, você nunca se esquecerá de tudo o que passou, serão relembrados eternamente. Mas, a decepção que é um sentimento é coisa de momento.
Aline Bueno

domingo, 23 de outubro de 2011

You


O amor da minha vida, o meu porto seguro, a minha razão de continuar viva, o motivo pelo qual sorrio. Ele é tudo, ele é mais do que tudo. É um anjo que surgiu em meu destino e mudou meu rumo. É alguém que segura minha mão, me olha nos olhos e diz: vamos, não tenha medo, você consegue, eu sei que consegue! É o meu diário ambulante, meu amigo e meu namorado. Aquela pessoa que briga comigo, que me mostra a verdade, que me apoia, me acompanha, me defende, me ajuda a levantar. Aquele ser que faz papel de bobo só pra me ver sorrir, que gosta de me contrariar só pra me deixar nervosa. E quando parece que o mundo vai acabar ele simplesmente me hipnotiza e me beija. Aí, o ódio e a raiva vão sumindo e quando eu dou conta, ele já me tem nos braços por inteira. Simplesmente, eu o amo e sempre o amarei. E é uma coisa que eu nunca deixarei de dizer. Porque nos meus piores dias, a voz dele me dá força e garra para eu continuar e jamais desistir. Então, eu só tenho a agradecer. E mais do que tudo, lutar para que a nossa história não tenha um ponto final, mas sim uma reticência.
Aline Bueno

sábado, 22 de outubro de 2011

Se por um segundo...


Se por um segundo, meus pensamentos começam a planejar táticas para morrer, em teus abraços eu encontro um apoio para me reerguer. Se por um segundo, meus olhos mergulham em águas profundas de tristeza, em teu sorriso eu encontro a alegria para me reerguer. Se por um segundo, o tudo me parece nada, eu me lembro de teus olhos para me reerguer. Se por um segundo, a infelicidade bater em minha porta, tuas carícias me fazem negá-la para me reerguer. Se por um segundo, desistir parece a melhor solução, sua voz me anima para me reerguer. Se por um segundo, a caminhada se torna cansativa e minhas pernas tendem a não avançar um sequer passo, em tuas vivências eu encontro um desafio para me reerguer. Se por um segundo, eu quiser fugir para o além, teus braços me selam em teu colo, e teus lábios dizem “eu estou aqui e eu te amo”. E, no entanto, só isso basta para que eu consiga sobreviver...
Aline Bueno

E se algum dia o amor acabar?


Como viver sem se importar com você ou com alguém? Como se emocionar diante de uma declaração, de uma serenata ou de um filme romântico? Para onde vai o sentimento de prazer e realização? E as borboletas no estômago? Aquele sorriso tímido que damos toda a vez que vemos aquele ser especial? Como controlar a raiva e o ódio? Como sentir paz? Como sonhar colorido? Como... ? Como... ? Como simplesmente viver? E, no entanto, ainda existem pessoas que não se importam em dizer “eu te amo”, ou sorrir para fazer alguém brotar um sorriso. Como não acreditar no amor, sendo ele o responsável por mover o mundo e a vida? Quando se ama tudo muda, tudo se renova tudo se torna mais fácil e mais bonito tudo importa. Não há tristezas ou sofrimentos, quando se ama alguém que também te ama. Um enorme obstáculo se torna um simples desafio. Em cada tragédia se obtém um tirocínio. Um tempo chuvoso se torna num belo dia de sol. Não há espaço para o preto e branco. E fazemos de cada novo dia, uma luta para nos tornamos cada vez melhores naquilo que mais gostamos de fazer e o fazemos bem. Agora me diz: Como se vive sem o amor?
Aline Bueno

E mesmo que...


E mesmo que eu saiba que você não me ama, um dia, eu sei que alguém me amará. E mesmo que eu chore, um dia, eu sorrirei. E mesmo que as coisas não são do jeito que eu gostaria que fossem no final tudo se resolve. E mesmo que eu lute, um dia, eu sei que a dor acabará. E mesmo que a distância é longa, um dia, ela se tornará curta. E mesmo que eu cometa erros, aprendo que em cada um deles há uma virtude a ser explorada. E mesmo que eu minta, um dia, a verdade reina. E mesmo que eu caía inúmeras vezes na caminhada da vida, os triunfos virão em seguida. E mesmo que eu te ame, um dia, deixarei de te amar. E mesmo que o mundo é pequeno, eu sou grande. E mesmo que a vida é perfeita, nós, seres humanos, nunca chegaremos a tal nível de capacidade impecável.
Aline Bueno

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Encontro com as ondas


Estava faltando uns 100 metros para chegarmos em Bertioga e eu já sentia o cheiro da água do mar, já escutava o barulho das ondas e, mais do que tudo, sentia o cheiro da areia molhada. Não foi uma felicidade para mim, como eu imaginava que seria, chegar naquela praia. Sinceramente, o que estragou tudo foi exatamente o tempo nublado que não ajudou em nada. Já havia ouvido pessoas dizendo que em Bertioga é frio, embora eu não imaginasse o quanto isto seria um fato verídico. Em São Paulo, estava muito calor e abafado. O sol radiava por completo a cidade. Estava até animada com a ideia de sairmos um pouco de nossa rotina e irmos dar um passeio na praia mais próxima e pescar um pouco. Mesmo sabendo que no outro dia haveria aula, eu aceitei numa boa esta proposta. E lá fui eu. Pulava de alegria por dentro de mim mesma. Mas, a cada minuto que se passava, essa alegria ia se devastando. E ela se foi de vez quando estávamos a 30min de Bertioga. O que aconteceu? Em plena serra, o mais temido fato se revela: esfriou bruscamente e a neblina apareceu. Era como se você estivesse num lugar quente e o céu estivesse azulzinho e, ao dar apenas um passo à sua frente, o clima fica frio e as montanhas são banhadas pela neblina. Ainda assim, estava tomada pela ansiedade, durante todo o trajeto. Fazia anos que eu não me banhava nas águas de Bertioga. A felicidade veio depois que eu toquei os meus pés naquela areia, ouvi melhor o barulho das ondas que me trouxe paz e realização, e olhei aquela linda paisagem de águas sujas e de um tempo nublado. A primeira coisa que fiz, além disto, foi me aconchegar na areia e fechar os olhos para poder senti-la em meus pés e em minhas mãos. Ali, naquele mesmo lugar e naquela mesma situação em que me deparava, permaneci durante alguns poucos longos minutos, mas suficientes para me fazerem sonhar. Com os meus olhos fechados, eu criei o meu segundo mundo. Levantei e saí correndo em direção ao mar para abraçar e viver uma linda aventura com as ondas. Mergulhei fazendo com que o mesmo fosse o beijo mais elegante que já havia presenciado. E, em minha volta, já não havia mais ninguém. Era só eu e o mar naquele fim de mundo. Nós dançamos por um longo e significativo tempo. Cheguei até a dormir ali, boiando sobre a água, de tanta calma que o barulho me proporcionou. Corri em encontro à areia e deitei-me do mesmo modo que estava. E, no entanto, esse só foi um de meus loucos sonhos em meu segundo mundo.
Aline Bueno

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Por doçura do destino



Por doçura do destino, nossas fraquezas, conflitos, problemas e dramas nos tornaram muito mais do que apenas dois simples amigos. Por doçura do destino, quando você caiu fui eu quem lhe ofereceu não só uma mão como apoio, mas, também, um ombro amigo como suporte para tanto desgosto. Por doçura do destino, você se tornou o meu porto seguro, aquele alguém que eu tanto pedi e tanto sonhei. E quando uma pedra foi atacada a nossa janela, quando um furacão destruiu nossa casa, quando um precipício se encontrava a nossa frente e uma batida de coração, um olhar importava mais do que nossas próprias vidas, por doçura do destino, nós nos unimos para enfrentar cada obstáculo em nosso caminho. Por doçura do destino, te encontro em cada pensamento e em cada sonho. Por doçura do destino, a cura da qual eu tanto necessitava em você eu encontrei. Por doçura do destino, a verdade nos foi concedida trazendo medo e discórdia. Mesmo assim, por doçura do destino, a aceitação abriu nossos olhos cansados e reatou nosso coração sofredor. No momento em que mais precisávamos de alguém, por doçura do destino, um laço nos aproximou sem que nós percebêssemos e a vida continuou. O presente se tornou passado, e o futuro se tornou presente. E, no entanto, por doçura do destino, o destempo fez com que um olhasse nos olhos do outro e enxergasse que sem aquele alguém continuar vivendo já não teria mais sentido.
Aline Bueno

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Alguém


E lá estava eu mais uma vez entrando na escola, perdida em meus pensamentos. Planeta Terra chamando, Planeta Terra me atormentando. Alguém estava pedindo minha atenção. Sem muito que tirar proveito para a conclusão do porque, justamente, aquele garoto estava me chamando, segui seus passos lentos em direção a um lugar em que ninguém nos pudesse ouvir. Ele se virou e me olhou nos olhos. Agora eu estava assustada. E mesmo querendo dizer algo para aliviar o súbito silencio entre nós, nada saía de meus lábios. Desviando o olhar e encarando o chão o garoto com o qual eu muito pouco havia conversado, me disse:
- Percebi que você está mais feliz. Havia tanto tempo que eu não via um brilho em teus olhos. É como se você estivesse morrendo, até parecia que sua vida era em preto e branco. E, de repente, você mudou. Estava mais feliz, seus olhos voltaram a ter satisfação e sua vida agora havia cores (pausa) O que aconteceu? Quer dizer, porque estava tão triste, tão morta e subitamente ficou mais feliz do que nunca?
Agora, eu sorria. Aquele garoto que muito pouco falava comigo, por um passado complicado, ainda se importa com minha vida. Queria abraçá-lo, embora, eu sabia que não podia fazer isto. Eu nada lhe disse e ele esperava por uma resposta. Coloquei meu cérebro para trabalhar. Depois de um tempinho analisando, lhe respondi:
- Eu só precisava de alguém que me desse motivos suficientes para voltar a amar, a ser feliz e viver. E num simples acaso, encontrei uma pessoa que não só foi minha cura, como também, é meu porto seguro!
Aline Bueno

domingo, 28 de agosto de 2011

Receita para aliviar a tristeza


Ingredientes:
3 colheres de idealismo, 1 lenço para enxugar as lágrimas, 1 folha dura, 1 caneta vermelha, músicas do Scorpions, sua alma, 5 verdades, 2 ilusões, 4 revoltas, 1 vontade louca que você não é capaz de fazer, 10 intrigas, 7 motivos de apego, seu subconsciente, um terço de sua lembrança, 5 litros de sofrimento, fósforo e a realidade.

Modo de preparar:
Com a ajuda da caneta vermelha, despeje no papel duro sua alma em palavras. Acrescente suas revoltas, suas intrigas, sua louca vontade e suas ilusões ao som de Scorpions. Com o lenço enxugue suas lagrimas e guarde para mais tarde. Pegue seu sofrimento e misture bem com as dolorosas lembranças, com as verdades e com o idealismo. Dê uma pausa e respire fundo. Recomece despedaçando os motivos de apego junto ao seu subconsciente e misture tudo. Terminado, sirva o papel duro e o lenço com suas lágrimas queimando a sua realidade.
Aline Bueno

sábado, 27 de agosto de 2011

O Medo


Ter e, ao mesmo tempo, não ter medo. Querer seguir em frente e, ao mesmo tempo, querer voltar atrás. Correr, fugir. Mas, nunca enfrentar. Outro sentimento que nos desgasta e nos assombra. Só mais um desafio em nossas mãos. Embora, ele seja tão doloroso a ponto de nos cegar com sua faca afiada. Proferir “Eu tenho medo” é como uma vitória. É como ganhar na loteria. Mesmo sabendo, que este fato não possa ser assim comparado, eu o faço. Porque, a partir do momento que o ser consegue enxergar este sombrio sentimento, mais perto de enfrentá-lo e derrotá-lo ele estará. Qualquer que seja o motivo pelo qual se tem o medo, certamente, é sublime o expor do que escondê-lo. E mesmo que, ele esteja em nosso consciente, e simultaneamente, em nosso subconsciente prefira lutar e se machucar do que lhe entregar sua vida. O medo é como o ar, você pode não vê-lo, mas pode senti-lo. É como o inverno, tão rigoroso que nos cela entre quatro paredes. Como o amor, que faz de sua visita uma moradia permanente em nossa alma.
Aline Bueno

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Alma Perdida


Às vezes, as coisas não dão certo. São tantas recaídas que a desilusão chega a você e, sem muito a lhe dizer, se apossa de tua vida e a transforma num beco sem saída. A princípio, você pensa que não há muito a fazer. Você se entrega inteiramente nesse poço sem fim. A cada dia que passa, a realidade vai se afastando e você vai afundando cada vez mais. Esperança? É o que falta para acabar com tanto desgosto. Meses passaram desde quando a desgraça visitou sua vida. O cansaço aumenta, a verdade machuca. São poucas as opções a serem tomadas. Seus olhos já não fecham, e nenhuma voz sai de tua boca. Não há som ou luz. Sua alma se encontra perdida. Mas, o seu corpo permanece ali naquele poço, caindo e caindo. Agora há volta? Você tenta se movimentar, embora, seu corpo permaneça intacto. Você tem uma vontade louca de gritar, mas nada sai de seus lábios. Você fica olhando aquela pequena luz lá no fim e, de repente, ela se vai. Então, você começa a chorar. Um choro sem lágrimas. Entretanto, alguém lá no fim grita por ti. E você o responde. Ele joga uma corda e sem muita força você vai subindo devagarzinho. Palavras de apoio rompem o silêncio e aquela luz volta. Começa a se aproximar. A alegria apossa teu corpo. Agora, são várias as pessoas que se encontram fora do poço. Seus olhos ardem por causa da claridade do dia. A adrenalina percorre suas veias e, em minutos, você encontra sua alma.
Aline Bueno

sábado, 30 de julho de 2011

Sonho


O vento sopra o meu rosto e eu me lembro de tuas caricias. Seu sorriso envergonhado em minha direção questiona-me o porquê as coisas não deram certo. Te observo com muita cautela. Seus lábios chamam meu nome. Me perco em confusão. Será isto uma ilusão? Não! É tudo tão real. Gostaria de poder gritar, dizer: estou aqui e sempre estarei. Mas, nenhum som sai de minha boca. Então, você vai embora. Eu tento correr e te impedir. No entanto, é tarde demais. Caio em desespero. Mãos tentam me segurar. Nenhum sucesso. Continuo caindo. Parece não haver fim. Tento combater as lágrimas que jorram de meus olhos. Não sinto medo, apenas tristeza. A velocidade da caída vai diminuindo e, em questão de segundos, meu corpo entra em contato com o chão. Meus olhos não conseguem se abrir. Escuto tua voz, ela me chama. Luto contra a fraqueza e te vejo. Como és belo! Você me pega no colo e eu te agarro com a maior força que tenho. Seu olhar se encontra com o meu. Sua boca se junta com a minha. Eu me remexo na cama. Acordo e descubro que isto era apenas um sonho.
Aline Bueno


sexta-feira, 29 de julho de 2011

Desilusão


Estar viva e não viver. Se machucar e nada sentir. Dizer e nada proferir. Comer sem saborear. Sonhar e não acreditar. Rezar sem fé. Chorar mas não aliviar. Olhar e não ver. Escutar e não ouvir. Deitar e não dormir. Andar e não se mover. Pensar e não racionar...

Durante 15 anos, sonhos foram construídos, buracos cavados, feridas abertas. Tão cruéis... Ilusões destruídas e tantas pedras ao decorrer do caminho da vida. Sim, eu caí inúmeras vezes, embora, não tenha aprendido muito com todos os tombos. Tantos sonhos despedaçados deram lugar há outros muito maiores e gratificatórios. A caminhada ainda é longa. A subida íngreme cansa e o desanimo se põe a disposição. Olhando agora a minha frente, vejo uma estrada sombria e infinita. Ou isso seria inverídico? Medo! A curiosidade toma conta de mim. “O que irei encontrar no final deste caminho? Será que há fim? É perto ou ainda andarei muito? Quais serão as dificuldades que enfrentarei?” São perguntas que eu quero e, ao mesmo tempo, não quero que sejam respondidas. Meu olhar está triste. Minha face cansada. Rugas e mais rugas apesar dos 15 anos de idade. Olheiras. Somente tristeza. Então, eu olho agora para trás. E vejo tanto infinito quanto à minha frente. Vejo flores, sonhos conquistados, desejos realizados. Pessoas que de alguma forma se tornaram especiais e essenciais em minha vida. E elas seguram um cartaz dizendo: “Siga em frente. Não tenho medo do que pode encontrar.” Observo os troféus e as derrotas. Um dia lindo. A hora do crepúsculo, a minha preferida. Eu olho meus amigos e minha família. E cada coisa que lutei para conseguir. É tudo muito inaudito. Vendo tantas coisas boas, bonitas e alegres, o medo deixa de se aflorar dentro de mim. O limite é o céu. Entrar em desespero agora não é um ato favorável. Abrir mão de todas estas coisas para receber nada ou tudo. Está tão difícil pensar, refletir e tomar uma decisão. Coisas agradáveis e repugnantes se apossam de minha mente. E fazem meu cérebro se desconectar de meu corpo... OPA! Aonde me encontro? Em meu subconsciente? Não! Eu conheço este lugar. É o meu segundo mundo. Arrepio. Ele é tão sórdido e sombrio. O que faço aqui? Outra vez, o cenário muda. Volto ao meu caminho da vida. Alívio. Seguidamente, olho a minha frente. Encaro a realidade. Fecho os olhos e sonho. Sonhar mas não acreditar. Desisto! Tento acordar. É impossível. No entanto, o que me resta então? Chorar!!! E assim o faço. Choro, embora, não sinta alguma calma ou paz. A tristeza ainda permanece em mim. Raiva. Alguém me diz: “Você é humana”. Levanto a cabeça e acrescento: “Errar faz parte”. Um pouco de minha angustia partiu... Decidi tentar comer, andar, falar, dormir, ouvir, estudar, me interessar, compreender, curtir, acreditar, voltar a acreditar no amor. Após tantas desilusões, tantos amores não correspondidos, amar de novo não é tão fácil quanto visa ser. Voltar a acreditar em algo tão mágico é quase impossível. Embora, eu saiba que é o que eu devo fazer. Desilusão se resume no estado de minha face, em minhas palavras sem sentido, em meus atos, meus olhos, meu andar, meu desanimo. Desilusão é somente o que resta em mim. Preciso me desapegar a este erro. Ainda que tenha a aparência de ser apropriada a minha vidinha tão sem graça, passam-se horas, dias, anos e nenhum passo avançado, nenhum ato tomado. Exausta, olho para o céu e me manifesto:

“Senhor, me ajuda! Me ajuda a ter forças novamente e conseguir a voltar a acreditar no amor. Senão, por favor, coloque alguém em minha vida que me faça crer nisto. Eu imploro, senhor. Porque eu sei que o mundo sem amor não é nada. Assim, nós, seres humanos, também não seríamos nada. Sei que o amor é tão grande quanto o universo e, também, que ele é o que nos move e nos faz acreditar e sonhar. Ser ausente do amor não é algo que se anseie, simplesmente, acontece. Se não amo, não sonho, não tenho fé e não vivo. Rezar é a última opção já que perdi minhas esperanças. Seja como for, que algo aconteça logo. Antes que o pior se revele. Não tenho forças para mais nada. Somente rezar e lhe implorar ajuda. E que, o senhor, faça o melhor para mim. Agradeço por tudo. Amém!”
Aline Bueno

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Durante uma viagem...


Durante uma viagem, o pai percebe que sua filha está muito quieta, sentada no banco de trás do carro. Ela fica olhando atenta pela janela cada mínimo detalhe que puder enxergar, com um fone de ouvido meio alto e, de vez em quando, dá palpites ao caminho ou conversa de seus pais. Apesar de tudo isso, seu olhar parece estar meio triste, seu rosto cansado e seu pensamento em um lugar muito distante. Incomodado e curioso, o pai, chama-lhe atenção e pergunta-lhe:
- Filha, está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?
A filha fica meia surpresa, tenta mudar de expressão e não o obtém com sucesso. Respira fundo e lhe responde:
- Estou bem sim, pai. Só estava pensando na vida!
O pai dá uma risadinha e balança a cabeça reprovando sua resposta. Incrédulo ele diz:
- Pensando na vida! Pra quê pensar na vida? Você só tem 15 anos, filha.
Então, a filha pensa na resposta que poderia dar-lhe. Após alguns minutos de silêncio, com uma voz calma e tranquilizante, ela se manifesta:
- Pai, pode ser que eu não seja maior de idade e nem tenha tanta experiência que nem vocês. Pode ser que eu não trabalhe ou faça faculdade, muito menos que eu tenha um marido e filhos, e nem as mesmas preocupações que vocês têm. Pode ser que eu não tenha arrependimentos, passados dolorosos ou decisões difíceis que precisam ser tomadas. Pode ser que eu não tenha que lidar tanto com meus defeitos ou meus problemas. Eu não preciso ser uma adulta ou ter o mesmo nível de vida que vocês têm. Porque, independente de tudo, o agora, apesar de ser distinto entre o meu e o de vocês, eles tem um mesmo fundador.  Isso mesmo, não importa a nossa idade. Pra quê pensar na vida? Fácil! É para que eu possa tomar as decisões corretas e construir meu caminho sem nenhum espinho. Porque eu cansei de agir por impulso e depois ficar por aí chorando e tentando consertar as coisas. O mesmo nível que vocês dão às suas preocupações e decisões, o mesmo faço.
O pai, não sabia o que lhe dizer. Nunca havia ouvido sua filha falar deste jeito. Ele abaixou a cabeça e respirou fundo. A levantou e antes de encerrar este assunto, ele indagou:
- Como assim “o agora, apesar de ser distinto entre o meu e o seu, eles tem um mesmo fundador” ?
A filha sorri e responde:
- Ele é a consequência de seus atos seja ele vitorioso ou desacerto.
Aline Bueno

domingo, 12 de junho de 2011

Olhe para o mundo e me diga: O que você vê?


São as diferenças ou as semelhanças? É o seu próprio ponto de vista ou o de um alguém que você julga ser mais aprimorado? São sentimentos bons ou ruins? É fé ou desgosto? Amor ou tristeza? Humildade ou arrogância? Não sabe por onde começar a descrevê-lo? Se começa pela direita ou pela esquerda, por cima ou por baixo? O que retratar neste amplo assunto? Olhe para o mundo e me diga: “O que você vê? Quais são as menores coisas da vida?” Uns podem responder sobre sentimentos. Mas, não é isto o que eu realmente quero retratar. Seja para ir ao trabalho ou estudar, passamos por ruas, avenidas, praças, prédios, casas, entre outros. Você, uma pessoa tão ocupada com si mesma, consegue me descrever exatamente quais são as formas, as cores, os objetos existentes durante todo este caminho de sua casa ao seu lugar de estudo e aprendizado? São poucos, que conseguem descrever. Eu mesma, não poderei dizer que assim o faço. Não sou detalhista. E esta falta de percepção, acaba com momentos maravilhosos e significantes para nosso bem-estar. Não concorda? Vamos ver se até ao final deste texto, sua opinião não mude!
Por um breve momento, pare e olhe a sua volta. Percebe o quanto há diferenças entre as coisas? Umas são mais altas. Outras são mais acentuadas. Umas são figuras geométricas. Outras são tão bem feitas que nos parecem ser perfeitas. Umas retilíneas. Outras tão curvas. Umas com cores radiantes que nos fazem perceber o quanto o mundo é maravilhoso. Outras tão molhadas. Umas espinhosas. Outras hiper lisas. Umas são de cores claras, enquanto outras são de cores mais obscuras. Umas têm formatos engraçados. Outras nos fazem até chorar. Umas tão brilhantes que acabam por fazer o opaco se empobrecer. Umas com, outras sem brilho, seja ele natural ou artificial. Cores tão normais são vencidas por cores tão anormais. E que coisas são essas? O que você quiser e puder imaginar: um papel, uma caneta, uma flor, uma árvore, uma estrada, uma casa, um apartamento, uma rua, o céu, uma comida, uma roupa... O que sua imaginação for capaz de criar.
Reparar nas coisas tem seu valor. Por isso, em dias de sol, por um curto minuto, eu paro para admirar o pôr do sol da onde quer que eu esteja. Aí, eu penso: “Como é lindo, como é cheio de vida, de amor, de esperança. Que pena que certas pessoas não tem a capacidade de ver o mesmo cenário que eu vejo, quase todos os dias. Sabe, agora eu entendo porque muitas pessoas lutam para viver mesmo tendo em suas mãos nenhuma moeda para comprar uma comida. É a esperança que esta imagem nos traz. Tão viva, tão bonita. Que pena que as pessoas não podem ver e rever estas pequenas coisas da vida. Maravilhosas, que mesmo depois de um longo e difícil dia, lutam para dar seu melhor. E são cenas como estas que me dão força e coragem para viver uma curta e duradoura vida.”
Olhe para o mundo e me diga agora: O que você vê? São tantas diferenças, que acabam se tornando semelhantes. Cada uma completa por si, se diferencia em, pelo menos, uma coisa. E você aí, de mal com a vida. Por isso, te digo:
“Erre quantas vezes for preciso errar. Caía, quantas vezes for preciso cair. Chore, grite o quanto necessitar. Não tenha medo de ser diferente das outras pessoas. Do mesmo modo que, o mundo em si e o que lhe acompanha é totalmente distinto. Mas, nunca perca sua fé. Ela é o que te guia a cada segundo. É a responsável por te dar conquistas que você mesmo julgava ser impossível. Sofra e se lembre que existem pessoas num lugar pior do que você se encontra. Acima de tudo, levante e recomece do zero. Não tenha a vergonha de dizer que errou. E nunca se arrependa de teus atos. Porque você não nasceu sabendo o que fazer, o que seguir, e quais seriam as consequências de tuas ações. Ninguém te disse nada, apenas: o mundo lá fora é difícil. E mesmo que lá atrás, você não tenha ligado para isto e hoje você vê que realmente aquela pessoa estava dizendo a verdade, não desanime. Há muito ainda o que ver, aprender e sentir. Ainda haverão muitas barreiras durante a caminhada de tua vida. Isto, não é o fim de tudo. E sim, o começo de uma nova evolução. A qual você está inserido e faz uma grande influência. Tome cuidado, porque a mesma coisa que te faz bem, pode te fazer mal. Quando se tem fé, as coisas podem não acontecer do jeito que gostaria, mas o resultado será muito melhor do que se espera. Corra atrás porque ainda é tempo. E mude de caminho se sabe que o mesmo só lhe trará mais angustias. Você tem a vida que quer, e as conquistas que deseja. Não deixe que grandes coisas sem nenhuma importância te atrapalhe de enxergar o melhor que a vida tem para nos presentear.”
Aline Bueno

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Meu defeito é...


Meu defeito é fazer as coisas e depois se arrepender, por não parar por um segundo para pensar nas consequências. É se lamentar, embora saiba que uma vez dito jamais será esquecido. É chorar sabendo que as coisas nunca mudarão. É tentar consertar o erro, por saber que é impossível voltar atrás. É ser perdoado e ver que a pessoa nunca se esquecerá do que aconteceu. É sonhar e acreditar que um dia a amizade voltará a ser a mesma. É sentir dor e não ter um remédio para aliviar. É fazer tudo certo, para no final fazer tudo errado. ÉH! A gente erra tanto e nem sempre aprendemos a lição. Persistimos no mesmo erro. E quando nos demos conta disso, aquela amizade já se perdeu. O amor se foi. A família se afastou. E não resta um ser do seu lado que te fale: “eu te avisei”. Aí, percebemos o quanto fomos ruins com os outros. E queremos mudar a palavra dita e o ato provado. Mas, já é tarde demais para tentar consertar as coisas. O jeito mesmo é seguir em frente e recomeçar. Mesmo quando, no caminho de seu destino, há uma caminhada longa e cansativa com muitas pedras e sem quaisquer flores, sem ninguém que te apoie e te dê forças, somente a vontade de ser feliz outra vez...
Aline Bueno

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A nossa musica, o ódio e o perdão


“Eu esqueço de tudo, eu me perco num mundo sem você. Lá fora não volto mais, pois meu lugar é ao lado teu.”

A nossa música. Se lembra de quando nos falamos pela primeira vez? [...] A época em que a Banda Hevo84 se revelava para o mundo. Me lembro que era fã da musica “Passos escuros”. E você era fã da própria banda, me fazendo virar fã também. Entretanto, o que mais marcou foi que você me surpreendeu quando fez uma homenagem a mim com uma outra musica que eu não conhecia. Ela se chamava “Meu mundo sem você”. E a partir deste momento, ela se tornou a nossa musica. Ao mesmo tempo, em que a chama de meu amor aumentava por você, o mesmo acontecia pela banda.
E foi num dia desses, depois de tanto tempo, que o CD desta banda eu comecei a escutar. Num simples toque desta musica, me fez lembrar você. Parei o que estava fazendo e deixei com que meu subconsciente vagasse no meu passado.
Um sorriso se formou em meus lábios. Esse era diferente de tantos outros. Não havia malícia, timidez ou segundas intenções. Era um sorriso gostoso, porque era bom. Se traduzia em alegrias e não arrependimentos. A sensação também era boa. Me fez pensar em alguns meses atrás. Assim, me surpreendeu por completo.
Até a algumas horas atrás, eu não podia escutar essa musica, porque chorava e me machucava cada vez mais. Como se alguém tentasse cravar um buraco bem fundo dentro de meu coração. Minha vida se resumia em tristeza e muito ódio. Os dias haviam se alterado. Mas, meu estado físico só havia piorado. Pensei: “Não quero sentir ódio, não quero ouvir teu nome e me lembrar somente dos momentos ruins. Aonde se encontram os bons?”
Pela primeira vez, não te condenei pelos teus atos, mas me coloquei em seu lugar. Concluí que você era uma pessoa indecisa. Que não confiava em você mesmo, portanto, não confiava no que eu dizia. Talvez, até gostasse de mim, mas acredito que não queria. Sabe, hoje depois de pensar em tudo isto, eu não sou capaz de te julgar como antes. Não sinto ódio por ti, mas também não te amo mais. Não direi que aprovo ou reprovo tuas decisões, mas te parabenizarei por teus atos.
A vida é complicada. Eu que pensava que nunca te perdoaria, hoje descobri que te sou capaz de te perdoar. Agora, a pergunta vai para você: “Você já se perdoou? Me perdoou?”. Pelo o que vejo, não. Só que, quem está perdendo é você mesmo. Não guardo nem rancor nem ódio, porque sei que não me faz bem. Do mesmo modo, continuar assim, também não está te beneficiando em nada.
“Você gostaria de ouvir meu nome e se lembrar de todos os momentos ruins? Gostaria de sentir ódio por mim? Sendo que não sou só eu que sou errada nesta historia?” Eu não! E por isso que hoje, quando eu escuto a nossa música, não consigo me lembrar dos momentos ruins que juntos passamos. Sabe quais as imagens que aparecem em minha mente quando eu escuto a nossa musica ou o teu nome?
Dos momentos em que um sorriso e um olhar se traduziam em: “Ei: eu te amo!”. Dos abraços apertados, dos beijos calientes, dos carinhos. Daquela alegria quando nossos olhares se encontravam a quilômetros de distância.  Da nossa timidez. Das provocações que fazíamos só para ver o outro nervoso. Dos lugares em que fomos. Das caminhadas de mãos dadas. Dos “eu te amo” que tantas vezes se pronunciava. Daquele calor que só nós sentíamos. Dos sonhos que construímos. Dos desejos realizados.  E muito mais.
Às vezes, até me emociono de tanta alegria. Alegria por saber que tudo isso aconteceu. Que você fez parte de meu passado. Que você escreveu, em um livro de memórias, uma parte de minha historia. A nossa história. Que mesmo não tendo um final feliz, ou um final que gostaríamos, o que realmente importa é que aconteceu que foi bom enquanto durou e que fomos felizes. Pra que negar? Os nossos olhares nos entregavam. E eu sempre vi a alegria, escondida atrás da tristeza...
Vou confessar: sinto saudade. Não de você, mas do jeito como me tocava, do modo como se referia a mim, dos carinhos que só você sabe fazer, do modo como me deixava tímida e me surpreendia quando corria ao meu encontro, da maneira como conseguia me desligar da realidade, de como a paz reinava quando você se encontrava presente, daqueles besteiras/bobeiras que fazíamos por amar o outro...
Não me arrependo de nada dito ou provado. E mesmo que, minhas decisões foram impulsivas, se tornaram as melhores decisivas. E mesmo que, nós tenhamos sofrido e chorado, no final a paz foi quem reinou. E mesmo que, tivemos errado muito, a vida nos deu novos caminhos e escolhas. Não somos o que somos hoje, se nenhum de nós existisse. Agradeço por deus, ter te colocado no caminho de meu destino. Porque, aprendi muito com tudo isso...
Não se torture, querendo com que as coisas fossem de outra maneira. É o nosso destino e ele não nos permitiu viver eternamente sem guardar algum desentendimento. E você sabe mais do que eu, que não foram poucas brigas. Nosso destino é ajudar o outro.
Obrigada por todo o sofrimento que impôs a mim e, acima de tudo, por todo o amor e a luta. E que um dia, assim como eu, você sinta o que sinto. Você sorria da mesma forma que sorrio. Um sorriso de alegria, transformação, de ter conseguido vencer esta luta, de saber que foi feliz e foi bom. E que teus olhos se mergulhem no mar da alegria e da aprovação de um passado inesquecível, do nome do responsável por tornar isso real, da gratidão ao que já se passou e que guarda saudades de um grande tempo. A época em que nossa historia estava sendo escrita sobre uma pedra. Com muito amor, afeto, alegria, luta, esperança e compaixão.
Aline Bueno

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Vou confessar que...


Vou confessar que não está sendo nada fácil para mim. Está muito pior do que um dia eu já imaginei. É muito maior. E quando eu concordei que o único remédio seria o tempo, não tinha pensado em todas as opções. O tempo se tornou mais uma de minhas drogas obscuras preferidas. O efeito que ela reproduz sobre mim é muito pior do que qualquer outro tipo de droga que existe no mundo. Só que ela não mata a pessoa rapidamente. Ela a destrói e a mantém ali viva, mesmo quando esta não tem mais alma e se sente morta. O tempo é a razão por toda a dor encontrada dentro de meu ser. É o responsável por aumentá-la cada segundo mais. Eu já não consigo dormir. Fico olhando o relógio e contando cada minuto para dar a hora de me levantar, forçar um sorriso, engolir uma lágrima e tentar ao máximo, não deixar com que minha face ou meu olhar entregue tudo o que estou sentindo. Olhar o relógio e perceber o quanto um minuto demora pra passar é desgostoso. O tempo não cura nada. Ele só fortalece os laços da dor e da angustia. Sabe o que é pior? É contar os segundos para te ver e saber que, talvez, um olhar, um sorriso, um ‘eu te amo’ ou um abraço não será correspondido. É contar os minutos para te ver, dizer que eu estou bem, quando na realidade não estou e te demonstrar que sou uma pessoa forte e estou superando tudo, quando o que só me resta são as lágrimas. É contar as horas para enfrentar e lutar contra a vontade que me domina, que me leva até você. Lutar contra a vontade de te beijar e de te abraçar. De saber que você é só meu. O meu amor. Como será possível eu te desejar tanto? Alucinar com momentos que nunca aconteceram? E esses desejos, essas vontades? Pra que negar se você nunca foi meu? E é isso que mais dói. É saber que você nunca me pertenceu e que talvez nunca o fará. É acreditar numa coisa que “sabe se lá” se um dia irá acontecer. É conviver com a esperança. É não ter a certeza de saber que você ainda me ama. É ter dúvidas sobre tudo o que sentes por mim. Estou cansada de tudo isso. Você me pediu para viver e, por mais que eu queira, eu não consigo e eu não sei o porquê. É impossível, assim de um dia pro outro, você ter deixado de me amar. Tenho certeza de que ainda me amas, não como antes. E que tem medo de se entregar. E eu não te culpo. Mas se você não me der uma chance, nem eu e nem você descobriremos se isto é certo ou errado, se nunca tentarmos!
Aline Bueno

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Aceitar as coisas como são...

Aceitar as coisas como são é tão difícil quanto compreender o porquê elas estão acontecendo. Não sei se o erro foi meu ou se é apenas mais um obstáculo que sou obrigada a enfrentar. O fato é que eu criei expectativas e ilusões demais. Fui além do que podia. E por isso, pela terceira vez, eu me machuquei. Só que desta vez, o que eu tanto ansiava era certo. Pena que foi só mais uma esperança criada e destruída. Eu tenho saudades daquela época em que eu era uma garotinha ingênua e inocente, que não tinha descoberto como era o verdadeiro mundo. Que não sabia que existiam pessoas más. Que não havia descoberto o que era o amor, e logo em seguida, a dor de uma perda, o vazio, o torpor e a angustia. Eu tenho saudades de quando um abraço, um ‘eu te amo’ e um ‘se cuida’ eram verdadeiros. Porque hoje, depois de descobrir tudo isto, o que me resta é só a lamentação e a dor. Cair três vezes pelo mesmo motivo, ficar com o coração partido e continuar vivendo, não é algo que se possa explicar que se possa entender. As decepções veem assim: quando menos a esperamos, quando menos estamos preparados, elas surgem. Não há como explicar. Só sentir mesmo. Mas, depois de tudo que passei tudo o que senti, ainda acredito que por trás desta tristeza há uma alegria. Que por trás desta dor haverá um amor. Que por trás deste buraco sem fim há uma esperança. Uma esperança de um dia amar e ser correspondida. De encontrar a paz e a felicidade. De voltar a sorrir, sem segurar uma lágrima. De achar meu lugar neste mundo. De amar, confiar e não se decepcionar. Acredito e jamais deixarei de acreditar nestas coisas. Porque eu tenho certeza de que coisas piores acontecerão. Que eu ainda cairei e me decepcionarei muito. Mas ninguém vem ao mundo para sofrer, se não lutar e aprender a amar, a ser feliz. Enfim, viver!
Aline Bueno

Segundo Mundo

Minha mente tentou te buscar. Uma bela reprodução para uma antiga lembrança. Parecia tudo tão real. Era tudo tão real. Seu jeito, seu sorriso, a cor de seus olhos, seu cheiro, sua voz. Tão perfeito. Embora, fosse só isso que minha mente conseguiu recriar. E aquela cena, aquela mesma cena virou um CD riscado. Sempre e sempre os mesmos gestos, as mesmas falas. A quem eu enganava? Você nunca passou de um sonho, uma lembrança para mim, porque você nunca existiu. Você era somente uma reprodução de minha mente que se repetia inúmeras vezes. Mas aquele amor que eu sentia, era real demais. Eu me perdi. Me perdi num mundo que criei. Num mundo onde tudo acontece, onde quem comanda cada detalhe sou eu. O mundo que eu sempre quis viver. O meu segundo mundo. Pois bem, eu me encontrava neste mundo. Eu estava ali, mas não estava feliz. A ilusão da perfeição com qual te criei, não me satisfazia mais. Já não sentia teu cheiro, ouvia tua voz, e nem sentia o gosto de teus beijos. Meu segundo mundo havia se tornado o verdadeiro mundo. Eu não podia mais viver nele. Procurei em cada canto daquele lugar uma saída, uma resposta, uma esperança. Revirei cada mínimo detalhe e nada encontrei. Aquele mundo colorido, alegre e harmonioso, se revelou o lado negro que eu tanto fugia. Já não havia cor ou um pequeno sinal de amor, alegria e esperança. Tudo ao meu redor estava morto. Eu não ouvia meus passos. Estava tudo escuro. Nunca havia me perdido de tal maneira. Comecei a chorar, embora, soubesse que o choro só traria mais angustia a mim mesma. De repente, eu percebi que não havia ar. Como eu poderia viver se o que me mantém viva é o ar? Eu não sabia, mas no meu mundo aquilo era possível... Aquele coração que pulsava cada vez mais forte e que quase me matava deixou-se levar pela tristeza. Parou de bater. Mas, meu corpo ainda se encontrava ali intacto. Eu não precisava nem de ar nem das batidas de um coração para viver naquele mundo. Busquei em minha alma a alegria e a esperança que sempre permaneceu presente. E quando dei por mim. Já não tinha mais alma. Onde estou? Olhei em minha volta. Não havia um sinal de vida. Não havia nada. Gritei. E só o que ouvi foi o eco de minha voz desesperada. Parecia mais um de meus pesadelos. Comecei a correr em qualquer direção. Corria em círculos, até que cansei e me joguei no chão. Eu queria sair daquele mundo que eu criei e me prendi. Pensei em tudo o que havia acontecido. Não havia ar. Meu coração parou de bater. Minha alma deixou de existir. Se tudo havia morrido, então, eu também estava morta. Estava morta e presa num mundo que sempre julguei ser o melhor mundo para se viver. E foi assim, que eu concluí que eu jamais conseguiria sair daquele mundo. O meu segundo Mundo!
Aline Bueno

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Aos poucos...

Aos poucos algo começou a nascer em meu coração. Eu não conseguia identificá-lo. E não sabia como ele era grande. Começou com pequenas vontades de te olhar toda hora. De saber que você estava ali. Que você estava feliz. Mas, por conta do destino e do egoísmo, havia uma barreira que eu não me intrometia quebrar. Estava cega por algo inapropriado e não queria saber de mais nada. Os dias foram passando. As horas foram se alterando. Os minutos mudando. Eu já sabia que existia algo forte e bonito habitado em minha alma, mas não queria acreditar. Enfim, as aulas acabaram. Venho a formatura. Depois as férias. E então, meu coração mudou de frequência. Um sentimento se revelou. Paralisei. Não conseguia me mexer, andar. Fechei meus olhos. Respirei fundo. E comecei a ouvir as batidas que, a partir daquele dia, eu encontraria. Um sorriso em meus lábios apareceu. Eu queria tanto aquilo. Depois de tudo o que passei e depois de tudo o que sofri, o que eu sempre pedia era que eu pudesse amar outra vez. Meu desejo foi realizado. Assim como o seu também. E pela primeira vez, eu sonhei com você... Em meu sonho, eu estava feliz. Apaixonada. Andava no pátio da escola. Ia de encontro a alguém. Um sorriso sem jeito se formou. Eu fiquei tímida. Sentei-me ao seu lado. Você me abraçou. E eu te agarrei. Não queria te soltar. Eu estava tão bem. Aquele seu abraço, me confortava. Sua presença me acalmava. Sua voz me animava. Você dizia que me amava. E eu fazia o mesmo. Era um momento perfeito. Tão perfeito, que eu nem tinha reparado, que algumas pessoas nos olhavam com certa indiferença. Talvez, não estavam acreditando no que viam. Então, eu te agarrei ainda mais e te beijei. Foi um beijo rápido e calmo, mas satisfez aquela vontade que já se formava em mim. Eu acordei. Nem tinha percebido, eu não estava em casa. Fui numa festa de pijama com minhas amigas. Eram mais de 3h da manha. Elas estavam na cozinha. Eu deitada em uma das camas. Abri meus olhos e fiquei ali olhando o teto. Estava tão feliz, tão realizada. Meus pensamentos foram preenchidos com imagens suas. Imaginações de como seria eu e você juntinhos. Alguém me interrompeu. Minhas três amigas entraram no quarto. E logo perceberam que havia acontecido alguma coisa. Foram correndo e se sentaram no meu lado. Queriam saber o que tinha acontecido, ou melhor, o que eu havia sonhado. Confessei. Disse tudo o que tinha acontecido. Ficaram mais felizes do que eu. Abraçaram-me, me parabenizaram e me disseram que a gente se combina e que íamos ficar juntos. Eu sabia que ia acontecer. Você me amava e eu te amava. O que mais poderia dar errado? Alguns meses se passaram. Já havia voltado às aulas. E aquele amor estava ficando mais forte. Embora eu havia me esquecido de um certo problema: eu também gostava de outra pessoa. Uma pessoa que só me fez sofrer. Minha vida é complicada. Daria tudo pra ficar com você e esquecer essa pessoa. Mas, o que eu poderia fazer? Essa era a realidade. Eu não podia desafiá-la!  Decidi me entregar a você. Pedi-te uma chance e você a concedeu. Ao mesmo tempo em que estava feliz, não estava. Sentimentos e angustias se misturavam dentro de mim. Arrependi-me na hora. Eu não deveria ter feito aquilo. O que eu pensava? Eu ainda não estava pronta para seguir com outro relacionamento! Uma parte de meu coração ainda batia por aquele garoto idiota. Fui embora chorando. Não consegui dormir. O que eu fiz pra merecer isso? Eu amo ele, porque esse impedimento agora? No dia seguinte, eu contei tudo pra ele, depois que chorei muito e ouvi todos os conselhos. Eu pedi perdão, mas sabia que isso não serviria de nada. Eu o iludi. O fiz sofrer. Eu não era um monstro, eu não fazia essas coisas. Eu realmente havia mudado. Não me conhecia mais. Quase dois meses se passaram. Eu terminei de vez com aquele garoto. Ele já não fazia mais parte de minha vida. Eu já não o amava mais. Pensei durante duas semanas, no que poderia fazer para consertar meu erro. Pedi conselhos ao seu melhor amigo. E ele me confirmou que você ainda gostava muito de mim. Criei coragem e te pedi uma segunda chance. Para a minha surpresa, você a recusou. Meu mundo desabou. Não tinha mais vontade de viver. Chorei. Perdi minhas forças. Havia criado muitas expectativas. Isso não era certo. Você me disse que já não me amava como antes e que eu precisava de tempo para pensar melhor no que realmente queria. Não pude discordar. Você estava certo. Passei uns dias pensando no que você me disse. Tentei viver, eu juro que tentei, mas eu não consegui. Tudo o que eu queria tudo o que ansiava era te ter para mim. Eu errei, eu sei que errei. Eu ti fiz mal. Mas, agora eu te amo. Eu quero te fazer feliz. Nunca quis te machucar. Só não tinha consciência das consequências. Por favor, volta pra mim. Me diz que ainda me ama. Me diz que ainda pensa em mim. Me diz que ainda um coração bate implorando por mim. Por favor, eu não vou conseguir viver sem ter você. Eu te amo demais pra conseguir ficar longe de ti. E eu sei que você também me ama. Que também me quer, tanto quanto eu te quero. Que você não aguenta mais lutar com essa vontade que te domina toda vez que encontra o meu olhar. Não falo por desespero, falo por vontade própria. Falo porque é a verdade. Porque eu não aguento mais te ver todo dia e não poder de tocar da maneira que gostaria. Não poder te acariciar. Te dizer tudo o que sinto. Te beijar... O que eu posso fazer pra você acreditar em mim? Perdoa-me? Será que tem volta? Será que é tarde demais? Diga-me que não!
Aline Buenoo

domingo, 10 de abril de 2011

Talvez um dia...


Talvez um dia eu volte a ser a garota que era. Aquela que conseguia sorrir sem derramar uma lágrima. Que, apesar do que acontecesse em sua vida, tinha bom humor. Aquela que saía com seus amigos a fim de se divertir, e não apenas encontrar um caminho do qual possa sair do abismo de seu quarto. Aquela que tinha bons sonhos. Que enfrentava os raros pesadelos como algo que nunca iria acontecer. Aquela que quando deitasse em sua cama, conseguia relaxar e dormir, e não rolava de um lado pro outro, com a insônia batendo na porta de seus olhos. Aquela que independente da hora que ia dormir e da hora que acordava, sempre estava feliz. Aquela que se arrumava apenas para se sentir bonita, e não apenas para acreditarem que ela estava bem. Aquela que falava sem medo de que uma de suas palavras entregasse o que sua alma sentia. Aquela que conseguia fechar os olhos, sem medo de que a sua imagem aparecesse. Aquela que gostava de viver, que gostava de desafios. Aquela que tinha forças para andar e se levantar quando caísse. Aquela que tinha um brilho nos olhos. Aquela que acreditava em contos de fadas e em príncipes encantados. Aquela que sempre tentava estar rodeada de amigos, e não aquela que preferia ficar num canto sozinha. Aquela que escutava músicas alegres e agitadas. Aquela que chorava de felicidade, e não de angustia. Aquela que não se martirizava. Aquela que gostava de ficar em frente à janela, vendo o pôr do sol. Aquela que se alimentava por estar com fome, e não por falar que comeu alguma coisa. Aquela que sabia o valor de se ter uma vida. Aquela que não tinha um sentimento doentio por ti. Enfim, aquela que não te amava, que não sabia o que era o amor, que não se decepcionava que não se entregava por alguém que não valia nada. Aquela garota, que você nunca conheceu. Mas, que um dia conhecerá!
Aline Bueno

sábado, 9 de abril de 2011

Confissão: A Minha Companheira


Quando se tem amigos ao nosso lado, nos aconselhando e nos amando. Quando se tem uma família que te apoia. Quando se tem um lar, uma comida, uma roupa, um chuveiro, uma cama, um cobertor. Quando se tem carinho, amor e paz há lugar para o individualismo e a solidão? NÃO... Quer dizer, só se a pessoa quiser! E eu, sou uma delas. Posso ter tudo de bom, posso ter grandes amigos, posso compartilhar amor e carinho, mas não posso ficar com quem quero. Muitos sabem de quem estou falando. Mas, se perguntam o porquê. É o seguinte: só fica na solidão quem quer, e eu quero. Mais porque eu desejaria algo tão sombrio, inapropriado, inútil e desnecessário para a minha vida? É fácil!
[...]
Dois anos, com o mesmo sentimento doentio por ti, que pulsa cada vez mais forte em meu peito. Esse sentimento, essa dor, não é nada. Porque, o verdadeiro amor, ainda virá. Virá de uma forma, que eu não espero. Farão piores, muitos piores estragos. Disso eu tenho certeza. Mas eu prefiro sofrer com a verdade a ser feliz com a mentira. Porque, foram um ano e meio de pura esperança. Esperança em algo que eu sabia que não iria acontecer. E hoje, eu tenho a prova. A verdade, enfim, apareceu. De uma maneira dolorosa. Depois de muito tempo, eu me entreguei, e acreditei que tudo o que ele dizia, não passava de uma mentira. E que tudo o que vocês diziam, era somente a realidade, que eu nunca quisera entender e me entregar. E até hoje, até hoje me perguntam: “Porque você se martiriza tanto por ele?” e eu respondia: “Porque eu o amo, e tenho esperança de um dia ficar ao seu lado”. Mas, neste exato momento, eu responderia: “O amor é cego, e o meu por ele é muito pior. Segui caminhos errados, e tive atitudes piores ainda. Posso ter errado muito, mas também, pedi muitos perdões. Esse amor é só uma base do verdadeiro, do que eu ainda irei sentir. Mas, havia algo, algo em que eu sentia força e esperança para continuar. Algo em que eu me apoiava e acreditava. Ela se chamava: mentira. Ela estava em minha frente, em minhas mãos e eu a escolhi, por vontade própria. Eu, com certeza, era louca por ele, por aquele amor. Então, fiz tudo sem saber suas consequências, e muito menos, sem saber o que realmente estava fazendo".
Hoje, eu me entreguei à solidão. Entreguei-me porque aceitei a realidade. Sei que não é o caminho certo a seguir. Mas, eu não tenho forças. Não tenho forças, não tenho vontade de lutar com a solidão. Por isso, que eu me entreguei. Eu prefiro viver assim. Porque, ela é o único motivo, para eu escrever todos esses textos. Meu único refúgio. A única saída, que eu encontrei. A mais fácil, mas, ao mesmo tempo, mais dolorosa. Eu prefiro me entregar a solidão do que lutar com ela. Contudo, podem ter certeza, que essa será a primeira e última vez. Porque, sempre haverá uma segunda, e eu quero estar preparada para enfrentá-la da maneira correta. Mais antes, eu quero senti-la por completo. Eu a quero aqui e agora. Eu quero que ela me faça chorar. Faça-me sentir dor. A mais dolorosa dor. Eu quero, e eu preciso sentir isso. Podem não acreditar, mas isso vale a pena. Porque, eu sou 1 em 1 milhão de pessoas que já se entregaram a solidão, desta forma.
Se você estivesse no meu lugar, se você sentisse o que sinto, tenho certeza de que você faria, exatamente, tudo que fiz. Não se arrependeria, já que se é errando que se aprende. Você me entenderia e me apoiaria. Mas como você não tem ideia, eu não poderei fazer nada. Apenas, dizer:
“Oh, solidão! Minha companheira, de tantos dias. De tantas lutas. Tantos anos. Você é a fonte de toda a minha gratidão. Obrigada, por compartilhar comigo essa dor. Obrigada, por ser a única que me apoiou. Eu sempre serei grata pelo o que fizestes por mim. Mas agora, você pode seguir seu caminho, e me deixar em paz. Vá, e não volte nunca mais.”
Aline Bueno

terça-feira, 5 de abril de 2011

Em meus sonhos, eu te procurava...


... Você me pedia socorro, mas eu não podia te salvar. Embora, eu tentasse ir ao teu encontro, eu não conseguia sentir minhas pernas. Não as encontrava em lugar nenhum. Então, continuar ali parada, te olhando sobre o chão se contraindo, gritando e implorando ajuda, sem poder fazer nada, não fazia mais sentido.  Baixei a cabeça, e fechei os olhos. Não conseguiria ver aquela cena por mais tempo. Mas também, não conseguia sair dali. Só ouvia você gritar e gritar de dor e pedir por socorro. De repente, tudo ficou quieto. Então, eu conclui que você tinha ido embora. Entretanto, me enganei. Você ainda não tinha partido. Tudo ao meu redor havia paralisado menos eu. Comecei a sentir minhas pernas, eu podia andar de novo, embora não encontrasse forças. Respirei fundo e dei um passo. Não cai. Em meio a confusão, comecei a andar devagar. Fui indo direto aonde você se encontrava. E quando cheguei perto de ti, paralisei. Aquela pessoa, não era você. Como isso poderia acontecer? Eu te conhecia tão bem, eu tinha certeza absoluta que aquele ser era você. Mas, havia me enganado outra vez. Aquele corpo, aquele rosto eram meus. Uma verdadeira reprodução minha. Então porque eu estava ali morrendo, naquela floresta? Não fazia a menor ideia. Comecei a analisar cada parte daquele rosto: sem vida, frustrado, triste, arrependido, com ódio. Ódio do que? Minha vida sempre foi tão perfeita, tão maravilhosa... Contudo, aquela pessoa tinha o olhar fixo em algum lugar. Ela estava com a cabeça virada pro sentido contrário que eu vinha. Resolvi seguir seu olhar. Me deparei com um ser paralisado, como tudo a minha volta. Olhei de cima a baixo aquela pessoa, pelo menos umas três vezes. Não podia ser verdade! Aquele ser estava com uma faca na mão embrulhada de sangue. O sangue era meu. Senti uma dor enorme em meu peito. Olhei e vi uma ferida. E eu tinha certeza que ela foi causada pela aquela faca. Agora eu encarava aquele ser com ódio. Muito ódio. Não daquele ser, mas do que eu sentia por aquele ser. Já falei o nome dessa pessoa? Você! Você tirou minha vida, roubou minha felicidade, e partiu meu coração. Realmente, te devo toda a minha gratidão! Obrigada por me iludir, mesmo assim continuo te amando. Te amando apenas por não conseguir sentir ódio por ti. Quer saber de uma coisa? Você não vale mais nada em minha vida.
Aline Bueno